Monteiro Lobato diz aonde nós deve ir

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Imperdível a exposição do Emílio Goeldi no Centro Cultural dos Correios, no Centro do Rio. Mas como estava com medo de perder a barca das seis para Niteroi, onde pegaria minha bagagem e voltaria ao Rio para tomar o voo a Brasília, perdi a mostra. Deu tempo só de dar uma olhadinha, ver de trivela a enorme coleção de desenhos, gravuras e até uns guaches ou aquarelas do artista. Montaram na entrada uma parte do ateliê de Goeldi, com ferramentas, matrizes, jornais da época... No fim de semana que vem volto ao Rio, se algum assaltante local quiser me roubar é só esperar na porta.
Perdi a exposição por culpa do Carlos Lessa. O ex-presidente do BNDES, grande cara, comprou ou já tinha uns casarões da rua do mercado, ali perto, reformou, fez uns botecos e um sebo, e, por causa disso, foi lá, vagando pelas estantes, que perdi a hora e comprei dois livros. Um pequenininho, espanhol, Romanceiro do El Cidemilia_no_pais-da-gramatica.jpg, e um de "Prefácio e Entrevistas" do Monteiro Lobato, que vim lendo no avião da TAM, depois de recusar a balinha gruda-no-dente que a simpática aeromoça de meia idade me oferecia logo após a decolagem.
Pois o Monteiro Lobato (vejo no prefácio do livro que seu reinações de Narizinho foi editado e apreciadíssimo na Argentina dos anos 40 a 60; será que argentinos têm com ele a paixão que os brasileiros têm ou era só a Cristina Kirchner?), o inimitável Lobato conseguiu em um parágrafo o que o Marcos Bagno não conseguiu em um livro inteiro: me convencer do valor dos "erros" gramaticais.

O fim da burca é só o começo

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Muito louvável o esforço do governo francês portasburcawr5.jpg para livrar as mulheres dos grilhões impostos pela cultura machista, que aprisionam o sexo frágil a regras severas de vestimenta e aparência. Começaram pela burca, proibida, segundo argumentam, porque é uma violência contra a liberdade das mulheres. Mas, claro, isso deve ser só um passo numa batalha muito maior, do Estado contra o uso dos costumes (nos dois sentidos) para oprimir o sexo mais cheio de curvas.

O próximo alvo do governo feminista será, certamente, o outro extremo do espectro no sistema fabril, as Fashion Week mundiais, onde uma conspiração de estilistas apreciadores de efebos violenta a liberdade das mulheres, ditando de forma arbitrária que as roupas a serem vestidas pela porção feminina da sociedade devem caber em corpos esqueléticos com formas de pré-puberdade. Artigo primeiro, sobre a assinatura de Nicolas Sarkozy: estão proibidos das ruas francesas o jeans de periguete, a propaganda manipulada por computador com modelos de silhueta retocada, as operações plásticas sob motivos "estéticos".

Os xiitas da moda vão reclamar, claro, alegar que as mulheres obrigadas a seguir os padrões "estéticos" ditados por eles exercitam sua vontade própria, seu gosto pessoal, sua opção individual. Sabemos que não é assim, que seus homens e a sociedade falocrata as obrigam a esse comportamento, sob pena de marginalização social, ou coisa pior.

A coragem da França em tocar no tabu das liberdades individuais em matéria de aparência pessoal, logo ela, finalmente libertará as milhões de mulheres oprimidas pela moda despótica, que condena as fêmeas ocidentais a esconderem os corpos ou a se submeterem a mutilações ou deformações pelas quais são obrigadas a pagar quantias altíssimas.

Deve ser complicadissima a formulação legal pela qual o governo francês regulará as decisões das cidadãs para proibir os implantes de silicone, as roupas impossíveis de serem vestidas pelas gordinhas, os decotes criados para mulheres inviáveis, os modelos impostos pelas cadeias de departamento, a custa de traumas indizíveis nas mulheres normais, incapazes de seguir o padrão decretado pelos fundamentalistas do photoshop.

Mais fácil é legislar sobre a burca, porque é a opressão mais evidente, imposta de maneira mais direta. Mas a França dos semiólogos, de Foucault, Deleuze e Derrida sabe bem os mecanismos sutis de dominação sobre as mulheres e as minorias. Não ia deixar barato. Não poderia enfrentar apenas o abuso de poder dos exageros muçulmanos. Há que se pensar grande, como pensou Sarkozy, ao mirar a longas pernas de Carla Bruni.

O decreto ambicioso virá. O Estado sentiu o prazer e o dever de romper os limites do comodismo e agir em favor dos interesses das mulheres, nem que, para isso, seja necessário punir severamente as próprias mulheres a quem se quer proteger.

Aguardai, mulheres, sua libertação está próxima!!! Hoje, a burca. Amanhã, o mundo!!!!!!!!

O Polvo é pop. E psico.

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paul polvo.jpg

O pessoal anda vendo o Chico Xavier no logotipo da Copa de 2014, aquele em que aparece um monte de gente metendo a mão. Mas vidente sensitivo mesmo é o polvo alemão, o tal que acertou todos os resultados, até debaixo d'água. Tem tamanha integridade que até previu a vitória da Espanha contra a Alemanha, provocando ameaças de virar paella.

A matemática não explica, mas a psicologia sim. Sabe-se que esses octópodes têm capacidade intelectual próxima à humana. Isso já os deixa acima da média de inteligência dos jogadores e técnicos de futebol. Ou seja, está superqualificado para comandar a seleção canarinho na próxima Copa. E ele tenta desesperadamente mostrar isso, avaliando os times lá do aquário dele. Como diria o Tutty Vasquez, isso a CBF não vê, caramba.


...aquele presidente acordou suando e tremendo. Gaguejava, quando contou a visão terrível que teve na noite seca e fria de Brasília:

pesadelobsb.jpg

Seu filho tem a boca suja? Temos a solução.

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Se não me engano, era o Idelber Avelar quem dizia não ter interesse em links patrocinados por medo de ver um artigo crítico sobre Israel acompanhado de propaganda da Companhia de Turismo Israelense. Essa dissonãncia cognitiva é comum nas paginas com lnks vinculados a propaganda,e são uma diversão mal explorada na Internet. Como a história da menininha chinesa que oprendeu o pé na máqu8ina de lava ropupa. Veja só o que anunciavam, com a notícia:
bebenalavadora.JPGMenina de três anos fica presa em máquina de lavar roupa
Plantão | Publicada em 21/06/2010 às 11h55m
BBC
Uma menina chinesa de três anos de idade ficou presa em uma máquina de lavar roupa depois de cair no eletrodoméstico quando estava brincando.

Os bombeiros da cidade de Ningde, no sudeste da China, tiveram que ser chamados para resgatar a menina.

A criança havia subido na máquina e acabou prendendo o pé.

Após uma hora cortando e desmontando pedaços da máquina, os bombeiros conseguiram libertar a menina.

Para mais notícias, visite o site da BBC Brasil


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Sempre admirei a coragem e ousadia dos praticantes do amor entre iguais, nos campos de futebol; ah, essa empolgação em manifestar a forte atração que sentem uns pelos outros, ainda que somente em abraços calorosos e patolagens brincalhonas em momentos do gol, nem sempre frequentes.
A torcida é mais livre para manifestar sua não rara misoginia. Asenha "futebol é coisa para homem" serviu, por décadas, para esconder de famílias preconceituosas o gosto irrefreável de membros da comunidade homossexual brasileira pela companhia de pessoas do mesmo sexo. Sinal das dificudlçades enfrentadas pelas minorias, porém, torcedores e praticantes desse antigo esporte bretão foram obrigados por anos a mascarar sua condição adotando comportamento escancaradamente homofóbico, uma maneira de fugir do preconceito e atraso da sociedade conservadora.

Mas o conceituado grupo de midia The Onion, conhecido por quem acompanha a imprensa séria anglo-saxã, traz bela e intensa reportagem sobre mais esse bom exemplo de alguém que tem coragem de deixar o armário e anunciar alegremente sua condição que não deve ser vergonha para ninguém. "Soccer anounces it is gay", diz a reportagem.

E não venha algum viadinho reclamar que está em inglês, sem legenda. As minorias monoglotas que se oprganizem e lutem por seus direitos, ora bolas.


Soccer Officially Announces It Is Gay

Sue me

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É, roubei do Herald Tribune, esse órgão comunista da imprensa internacional:

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(Obama, com a lista de sanções ao Irã:) "Eu tentei diplomacia, não fuincionou."
(Bush:) "Eu tentei sanções. Não funcionaram"

(ops, corrigi o tíotulo, tinha saído um troço ininteligível, obrigado, Mário)

Me processe

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É, roubei do Estadão de hoje:

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Flavio de Carvalho em Madri

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Tem coisa que todo brasileiro deveria estudar na escola, em vez de, sei lá, fazer casinhas com palitos de sorvete. Flávio Cypriano, na Folha, hoje, fala da exposição "Desvios da Deriva", uma celebração de utopias tropicais em que a criatividade brasileira não faz feio; comentamos aqui no Sítio a mostra, com arquitetos do Brasil e do Chile, no Reina Sofia de Madri. O Cypriano diz que o Flávio de Carvalho saiu bem comportado na exposição sobre ele em Sampa (que, aliás, acaba neste domingo) e está bem mais refcarvalhop na rua.jpgvolucionário na Espanha.

Pode até ser. Gostei da exposição paulista, a porralouquice genial do artista estava bem distribuída, seus projetos teatrais explicados, o delírio expressionista das telas e desenhos aparecia bem representado e coisa e tal. Sinto sempre falta de um pouco de iconoclastia quando se fala de Flávio _ ainda que a exposição de São Paulo tenha trazido reportagem da revista Cruzeiro da época que descreve com hilária ironia a festa promovida por Flávio e amigos com seu "New Look de Verão", que, pela descrição, deve ter sido um baileco hilário _ e constrangedor.

No livro Experiência nº 2 (NAU Editora, RJ, 2001), em que narra sua performance (não se chamava assim naquela época) atravessando uma procissão em sentido contrário, sem tirar o chapéu, o artista tenta uma análise psicológica da reação (agressiva) das pessoas e tira conclusões alucinantes, como a comparação entre a procissão e um corpo feminino desejado, em que as imagens sagradas e paramentos funcionam como fetiches para se alcançar "a mãe descohecida". Delírio delicioso, não como psicologia, mas como literatura.

Recentemente, um fotógrafo e um cineasta, sem entender direito, tentaram repetir/imitar a experiência, numa procissão no interior(sem adaptar aos tempos atuais, em que não se tira nem boné na Igreja) . História repetida como farsa: nem o interior é São Paulo do passado, nem a população de pessoas humildes, curiosamente (ou não) negras e mulatas, viu nos dois branquelos brincando de Flávio de Carvalho mais que um exotismo de turista a cruzar a procissão.

Cypriano conta que o traje carvalhesco é um dos pontos altos da mostra. Bom pretexto para reunir os fequentadores do Sítio e mostrar algumas fotos da exposição madrilhenha. Reparei que o traje, pendurado pelo teto, criava uma relação interessante com a turma que passeava pela sala e fiquei algum tempo brincando com isso. O traje também merece ser visto por outros ângulos. Vamos às fotos:


Temos, aqui no Sítio, pavor de mandatários que chegaram ao poder em eleições suspeitas e acreditam ser comandados por alguma voz vinda do Céu. Por isso não gostávamos nem um pouco do Bush, e não apreciamos o Ahmadinejahd. Fé cega e faca amolada no comando de Estado nunca dão em coisa boa.

Mas, infelizmente, a religião está entranhada na alma das eleições e não há candidato que se arrisque a declara seu ateísmo em palanque. Fernando Henrique Carodoso carregou até estátua de S. Francisco de Assis.

Um dos grandes dilemas de Israel, hoje, é alimentar nos jovens progressistas e não ortodoxos o interesse pela defesa combativa do território israelense. Como disse o (judeu criado em família ortodoxa) Peter Beinart, num artigo que provocou enorme repercussão, no NYTimes Review of Books recentemente, enquanto os jovens ocidentalizados se identificam cada vez menos com a causa de Israel, as fileiras do sionismo estão sendo preenchidas cada vez mais por membros da comunidade orotodoxa, que misturam sólidamente questões geopolíticas com fanatismo religioso, coisa nada boa para quem quer resolver a charada do Oriente Médio.

Se, do outro lado, há também fanáticos considerando a extinção de Israel um comando divino, pior ainda.

Aí chegamos nessa questão das sanções do irã. Enquanto começam a discutir a possibilidade de ter de lidar com um Irã nuclearizado, as autoridades e analistas nos EUA chegam a cogitar a hipótese de ter de lidar com Irã de um lado e Israel de outro, ambos com bombas atômcias, ambos sem real interesse em deflagrar uma guerra atômica. Mas o Oriente Médio não é o mundo da Guerra Fria, e lidar com Teerã não é como ter uma linha vermelha com os russos, como lembra David Wood nesse artigo aqui.



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    Prêmio SESC de Literatura 2008

    "Um livro que merecia chegar às mãos de todos os que amam a boa literatura" --Luiz Vilela

    "O autor passeia não apenas pela cidade, mas pela própria ficção, montando histórias que, aparentemente coladas à realidade, guardam sempre uma possibilidade de ilusão ou, no minimo, de surpresa" --Flávio Carneiro

    "Narrativas que se constróem de maneira simples, quase como crônica, mas que reservam sempre um fundo instável e conquistam o leitor pela inteligência" --Bruno Zeni

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