Durante anos, colaborei para a Revista Cibercultura do Itaú Cultural, com artigos sobre a cultura digital, resenhas de livros e o universo da ficção científica. Então, em 2008, a revista pisou no freio, deu um tempo, repensou seus objetivos e sofreu uma bela mudança- para melhor: tornou-se uma revista de cunho acadêmico, que já nasce (nasce aqui é força de expressão, uma vez que ela ainda tem o conteúdo de anos no site) não só com uma grande bagagem, mas se torna uma referência nacional e internacional. Abaixo, a chamada oficial de artigos da revista:

CIBERCULTURA (ISSN 1679-6756) é uma revista eletrônica de arte, ciência e tecnologia que tem como colaboradores Lucia Santaella, Rejane Cantoni, Tânia Fraga, Jorge La Ferla, Humberto Maturana, Bill Seaman, e várias outras figuras referenciais no campo da arte e tecnologia nacional e internacional. O canal publica de maneira dinâmica dados sobre os trabalhos que estão sendo desenvolvidos pelo Itaulab, além de notícias e reflexões sobre áreas específicas da arte contemporânea.

Propostas: resumos detalhados (500-1.000 palavras), acompanhados de uma bibliografia, deverão ser enviados por correio eletrônico para Guilherme Kujawski (guilherme.ramos@itaucultural.org.br). Todas as propostas serão selecionadas de acordo com a política editorial da revista e não estarão sujeitas a remuneração.

Artigos: o prazo para entrega dos artigos completos (6.000-7.000 palavras) é de até dois meses após a seleção.

Temas: sci-art, software art, hacktivismo, IA, software art, animação 2D/3D, games, game art, arquitetura open source e interativa, arquivamento de obras digitais, soft cinema, psicogeografia, DJ/VJ, biotecnologia, web2.0, emergência, fabbing, arte generativa, novas interfaces, arte locativa, arte robótica e temas conexos.

cyberbrasiliana

Eu estarei lá. Abraços!

A dica é da phynna musa e mestra Adriana Amaral (agora de casa nova, não deixem de visitar):


Vampires: Myths of the Past and the Future An interdisciplinary Conference
organised by Simon Bacon, The London Consortium in collaboration with the Centre for the Study of Cultural Memory, Institute of Germanic & Romance Studies, University of London
Conference dates: 2nd - 4th November 2011


Venue: Institute of Germanic & Romance Studies, School of Advanced
Study, University of London

Myths of vampires and the undead are as old as civilisation itself,
wherever humans gather these 'dark reflections' are sure to follow.
Whether as hungry spirits, avenging furies or as the disgruntled dearly
departed, they have been used to signify the monstrous other and the
consequences of social transgression. Embodying the result of a life
lived beyond patriarchal protective proscription that quickly changes
from dream to nightmare and from fairy tale to ghost story.

However their manifold and multifarious manifestation also provides a
point of opposition and resistance, one that subverts majority narrative
and gives agency to the disenfranchised and oppressed within society.
This is seen most clearly in the late twentieth century where, in a
plethora of filmic and literary texts, amidst a growing 'sympathy for
the devil' the vampire is constructed as a site of personal and social
transition. Here alternative narratives (e.g. feminist, ethnic,
post-colonial discourses etc) find expression and ways in which to
configure their own identity within, or in opposition to, the dominant
cultural parameters revealing hybridity as the catalyst for future myth
making.

In the course of the past century the vampire has undergone many
transformations which now see them as a separate evolutionary species,
both genetically and cybernetically, signifying all that late capitalist
society admires and desires thus completing its change from an
abhorational figure to an aspirational one; the vampire is no longer the
myth of a murky superstitious past but that of a bright new future and
one that will last forever.

This interdisciplinary conference will look at the various ways the
vampire has been used in the past and present to construct narratives of
possible futures, both positive and negative, that facilitate both
individual and collective, either in the face of hegemonic discourse or
in the continuance of its ideological meta-narratives.

Keynote speakers include:

Stacey Abbott

Catherine Spooner

Milly Williamson

We invite papers from a wide variety of disciplines and approaches such
as: anthropology, art history, cultural studies, film studies, history,
literary studies, philosophy, psychology, theology, etc.

Possible themes include but are not limited to:

* Myths, fairy tales and urban legends
* Cross cultural colonisation; vampiric appropriation and
reappropriation
* Cinema, Manga/ Anime and gaming
* Fandom, lifestyle, 'real' vampires and identity configuration
* Minority discourse and the transcultural vampire
* Genetics, cybernetics and the post human
* Blood memory, vampiric memory and the immortal archive
* Dracula vs. Nosferatu; Urban vs. Rural
* Globalisation, corporations and 'Dark' societies
* Immortality, transcendence and cyberspace
* Old World/ New World and vampiric migration
* From stakes to crosses to sunlight
* Blood Relations and the vampiric family
* Abjection, psychoanalysis and transitional objects

Papers will also be considered on any related themes. Abstracts of 300
words should be submitted to Simon Bacon at vampiremyths1@googlemail.com
no later than April 30th 2011.

Estou terminando algumas tarefas urgentes aqui, mas, conforme o prometido no último post, estou voltando agora neste segundo semestre ao blog. Algumas coisas irão mudar, mas o Pós-Estranho continuará voltado à cibercultura, com foco mais voltado para a pesquisa científica. A ficção científica, claro, continuará aparecendo aqui, mas em segundo plano.

Obrigado pela paciência e até breve.

A partir de hoje, este blog encerra temporariamente suas atividades. Pretendemos retornar no segundo semestre, se possível, com novo cardápio, seguindo sempre nosso lema: servir melhor para servir sempre. Ou então não servir nunca mais.

O blog do lado continua.

Começa hoje, na Blooks livraria, no Rio de Janeiro: é o ciclo de encontros SpaceBlooks, homenageando a Ficção Científica. O primeiro encontro tem o tema Ficção científica e cinema. Com a participação do jornalista e cineasta Eduardo Souza Lima, do crítico de cinema Rodrigo Fonseca, do escritor Bráulio Tavares e de César Coelho, diretor e idealizador do AnimaMundi, o encontro, nas palavras de Toinho Castro, que, junto com o mestre Octavio Aragão, organiza o evento, "o SpaceBlooks vai abrir espaço para uma conversa das boas sobre a relação íntima entre o cinema e a literatura de ficção científica mundial, sobre como filmes aclamados, clássicos assistidos por milhares, até milhões de pessoas, são fortemente inspirados em livros que muitas vezes pouca gente leu e que mal são publicados hoje em dia. Por exemplo, você viu recentemente algum exemplar de 2001: uma odisséia no espaço, de Arthur C. Clarke, à venda em alguma livraria?"

Na semana que vem, no dia 13 de maio, o tema será Ficção científica na Internet: Eu estarei lá, junto com Ana Cristina Rodrigues e Saint-Clair Stockler, para falar da influência da Web na FC brasileira.

Fechando no dia 20, o tema será Steampunk: o escritor e editor Gérson Lodi-Ribeiro, o ilustrador Alexandre Lancaster e o multimidiático Fausto Fawcett falam sobre suas visões de passado.

A Blooks fica na Praia de Botafogo, 316, dentro do espaço do Cinema Arteplex. Todos os encontros serão às 19h.

E Os Dias da Peste continua a ser resenhado. Abaixo, os links para duas resenhas, que, na verdade, já saíram há algum tempo, mas que eu só divulguei via Twitter (microblogging maledetto):

A primeira é do Eric Novello, na revista Aguarrás. O Eric já havia feito uma entrevista comigo, que está no seu site. Tanto a entrevista quanto a resenha foram muito bem sacadas e acrescentam ao leitor mais dados sobre o livro e o processo de criação.

A segunda é a da Flávia Denise de Magalhães, do ótimo blog mineiro Livro Livre. Conheci a Flávia no lançamento do livro em Belo Horizonte, onde batemos um bom papo e ela se mostrou bem interessada no livro - o que resultou numa resenha curta mas bem perceptiva de alguns aspectos metalinguísticos da história.

Obrigado ao Eric e a Flávia!

Comecei 2010 com todo o gás. Já nos últimos dias de 2009, vendo a minha lista de livros lidos naquele ano (quem me conhece sabe que eu sou louco por fazer listas de livros), constatei com desânimo que li muito pouco para o meu padrão normal. Foram apenas 102 livros, e isso porque deixei de fora todos os que comecei a ler mas não terminei (senão teriam sido no mínimo 150 livros, o que bate com minha média anual de leitura).

Então me deu uma louca e tomei duas decisões: a primeira é que eu ia começar E terminar cada livro que pegasse em 2010. A segunda é que eu bateria meu recorde pessoal de livros a ler: não pensei em nenhum número específico, mas, pelo andar da carruagem (que está sendo surpreendentemente rápido, nem eu esperava conseguir voltar a ler tão rapidamente), acredito que vou conseguir fechar 2010 com algo entre 250 a 300 livros lidos.

Por ora, li pouco mais de oitenta. Eis aqui a lista:


Coraline - Neil Gaiman
Leite Derramado - Chico Buarque
Xochiquetzal - Gerson Lodi-Ribeiro
Liberdade Virtual - Sylvio Gonçalves (releitura)
Jubiabá - Jorge Amado
The Quiet War - Paul McAuley
Geosynchron - David Louis Edelman
Bone Song - John Meaney
O Silêncio da Chuva - Luiz Alfredo Garcia-Roza (releitura)
Padrões de Contato - Jorge Luiz Calife (releitura)
Almanaque Machado de Assis - Luiz Antonio Aguiar
Encruzilhada - Lúcio Manfredi
Achados e Perdidos - Luiz Alfredo Garcia-Roza (releitura)
Atonement - Ian McEwan
Baronato de Shoah - José Roberto Vieira
Vento Sudoeste - Luiz Alfredo Garcia-Roza (releitura)
Uma Janela em Copacabana - Luiz Alfredo-Garcia-Roza ( releitura)*
A Star Above it - Chad Oliver
Perseguido - Luiz Alfredo Garcia-Roza (releitura)
Espinosa Sem Saída - Luiz Alfredo Garcia-Roza
Na Multidão - Luiz Alfredo Garcia-Roza
Céu de Origamis - Luiz Alfredo Garcia-Roza
The Umbrella Academy - Gerard Way e Gabriel Bá
O Seminarista - Rubem Fonseca
The Children of the Company - Kage Baker
Cyberabad Days - Ian McDonald
Far From This Earth - Chad Oliver
Bento - André Vianco
Yellow Blue Tibia - Adam Roberts
Quase a Mesma Coisa - Umberto Eco
Gardens of the Sun - Paul McAuley
Memorias de Futuro - Miguel Esquirol
The League of Extraordinary Gentlemen - Black Dossier - Alan Moore & Kevin O'Neill
Everyware - Adam Greenfield
Autoassassinato - Ronaldo Pelli
Amor em Texto, Amor em Contexto - Ana Maria Machado, Moacyr Scliar
Flood - Stephen Baxter
The Apex Book of World SF - ed. Lavie Tidhar
Lavinia - Ursula K. LeGuin
The Catcher in the Rye - J. D. Salinger
Bendito Maldito - Oswaldo Marques
Plan for Chaos - John Wyndham
The Continuous Katherine Mortenhoe - D.G.Compton
O Pirotécnico Zacarias - Murilo Rubião (releitura)
A Casa do Girassol Vermelho - Murilo Rubião (releitura)
O Homem do Boné Cinzento - Murilo Rubião (releitura)
Ark - Stephen Baxter
Antônio Fraga - Personagem de si mesmo - Maria Célia Barbosa Reis da Silva
Desabrigo - Antônio Fraga (releitura)
O Atiçador de Wittgenstein - David Edmonds & John Lidinow
The Life of the World to Come - Kage Baker
Mass Effect - Revelation - Drew Karpyshyn
Ringworld - Larry Niven
Wittgenstein - O Dever do Gênio - Ray Monk
Os Passarinhos - Estêvão Ribeiro
The Third Claw of God - Adam-Troy Castro
Blood Fever - Charlie Higson
Drood - Dan Simmons
Double or Die - Charlie Higson
The Red Tree - Caitlin Kiernan
Babel Hotel - Luiz Bras
Palimpsest - Catherynne M. Valente
Galileo's Dream - Kim Stanley Robinson
La Bendita Manía de Contar - Gabriel García Márquez
Pleasure Model - Christopher Rowley
Crooked Little Vein - Warren Ellis
Gold - Isaac Asimov
The Box - Richard Matheson
The Forensic Files of Batman - Doug Moench
Azincourt - Bernard Cornwell
Hellblazer - the War Lord - John Shirley
Ash - Malinda Lo
Transmetropolitan TP 1 - De Volta às Ruas - Warren Ellis/Darick Robertson (tradução)
Y - O Último Homem - Extinção - Brian K. Vaughan/Pia Guerra (tradução)
Black Blood - John Meaney
Shine - ed. Jetse de Vries
Lamentation - Ken Scholes
The Jane Austen Book Club - Karen Joy Fowler
The Magician of Lhasa - David Michie
Transition - Iain M. Banks
Solar - Ian McEwan
O Centésimo em Roma - Max Mallmann

Destes, ainda estou lendo os dois últimos. Solar, de Ian McEwan, é um livro que está me surpreendendo. Que McEwan é um escritor competentíssimo eu já sabia; o que eu desconhecia era o interesse dele por ciência e ficção científica. Solar conta a história do Prêmio Nobel de Física Michael Beard, um sujeito intratável e saturnino que, no meio de um divórcio, um crime e acusações de "neo-nazismo", acaba se tornando um dos maiores defensores da busca de alternativas de combustíveis para deter o aquecimento global. Eu já considero este livro ficção científica na mesma linha de Reconhecimento de Padrões, de Willian Gibson: ficção que trata de ciência. E, quando o autor é tão bom, não precisa mais que isso.

E O Centésimo em Roma, do meu amigo Max Mallmann, está sendo uma delícia: comprei ontem e já estou em um terço do livro (são 400 páginas, o maior e mais complexo e elaborado livro do Max até agora). A história do centurião Desiderius Dolens, que ao voltar para Roma depois de anos lutando na Germânia se torna chefe dos urbanicianos (a guarda local) e logo de saída tem de desvendar um caso de assassinato, coloca Max sem dúvida como o maior escritor da nossa geração. Este livro é absolutamente essencial - comprem já.

Duas Elites

É o nome do artigo coletivo-bate-papo que o Luiz Brás montou para a edição de abril do jornal Rascunho. Um trechinho só para vocês terem ideia:


É sabido que a crítica acadêmica, praticada nas universidades e em boa parte da imprensa (a maioria dos jornalistas tem mestrado e doutorado, outros são professores universitários), torce vigorosamente o nariz para a literatura de gênero: policial, espionagem, ficção científica, fantasia, terror, etc. Também é sabido que os autores, os editores e os consumidores da literatura de gênero torcem o nariz, com igual vigor, para a crítica acadêmica e as obras que ela legitima. Isso deixa claro que o jogo literário, diferente do futebol ou do boxe, tem pelo menos dois conjuntos de regras. O critério aplicado pelo primeiro grupo na avaliação das obras literárias é o reverso do critério aplicado pelo segundo grupo.


Em seguida, ele pediu a diversos escritores que dessem sua opinião sobre o texto-base. Foram escolhidos escritores das supostas duas elites: de um lado (se é que podemos dizer isso, mas estou sendo provocador de propósito), José Castello e Amílcar Bettega, por exemplo; do outro, Ana Cristina Rodrigues, Guilherme Kujawski, Braulio Tavares e este que vos digita. O resultado pode ser lido na íntegra aqui.

Foi uma discussão no mínimo interessante. Dá pano para manga - aliás, para várias mangas, para um terno (ou uniforme, como queiram) inteiro. Eu tenho cá a minha opinião sobre o resultado final do megatexto, mas gostaria primeiro de ouvir a de vocês. O que acharam? Respostas nos comentários, please.

É um pensamento que me ocorreu há algum tempo (na verdade, depois dos terremotos do Haiti e do Chile) e que agora, com a erupção do vulcão Eyjafjallajökull, me instiga ainda mais: será que o interesse pela cultura steamer não traduz, em vez de um desejo ou de uma mera brincadeira estética, uma preocupação inconsciente com o retorno a uma era tecnológica menos avançada -- ou um momento tecnológico de virada em que nos são apresentadas alternativas para nossa vida neste momento? Será que o movimento steampunk não é uma maneira que a espécie, culturalmente falando, encontrou para apresentar essas alternativas?

Colin Wilson, em O Oculto (salvo engano) disse que nós somos as partes visíveis de Deus. Se você acredita ou não num ser superior, não faz diferença, não é esta a questão; um bom steamer ateu diria que somos todos engrenagens de uma Grande Máquina. Será que a Grande Máquina não está dando um jeito de nos programar para, como espécie (nem que seja apenas como subcultura), pensarmos em alternativas viáveis para um possível dia em que as catástrofes naturais nos impeçam de usar a tecnologia do século vinte e um?

É uma idéia, reconheço, no mínimo bizarra - mas justificaria a existência do steampunk como movimento sócio-político tanto quanto o cyberpunk, em sua época (anos 1980), se justificou não apenas como espelho de uma luta de classes (vide Fredric Jameson) e como influência direta para a cibercultura.

Será o steampunk uma anticibercultura? Definindo melhor: será o steampunk a contracultura da cibercultura? Não como movimento retrógrado, mas como real e imediato substituto pela via da necessidade?

Pausa para reflexão.

Desculpem o sumiço - mas em breve volto, com novidades. Por ora, chegando perto dos 70 livros lidos em 2010, algumas pendências resolvidas e até - ora vejam, quem diria - algumas felicidades. Entre elas, saber que meus trabalhos, tanto os de ficção quanto os acadêmicos, estão sendo discutidos em duas dissertações de Mestrado da UFMS. Nesta quinta, estou desembarcando em Campo Grande para participar das bancas de Alice Signorini Feldens e Armando Pinheiro Mont'Alvão Júnior, autores de dois trabalhos que depois comentarei aqui. Deixo vocês com o convite para a banca do Armando e meu cordial boa-noite:

CONVITE DE DEFESA

Afastado contra a vontade por motivos de trabalho e perda de conexão, tenho aproveitado as últimas semanas para trabalhar muito, o que vai trazer algumas novidades em breve. Entre elas, uma entrevista para a TV Gazeta sobre Os Dias da Peste e talvez até algo mais, que irá ao ar no próximo dia 7 de março (aviso quando estiver mais próximo).

E na próxima sexta-feira estarei em Santa Maria, Rio Grande do Sul. Vou, junto com minha amiga, Adriana Amaral, participar da banca de qualificação de Doutorado do Rodolfo Londero, co-editor do ótimo Literaturas Invísiveis. Mais tarde, estaremos com nosso amigo Wandeclayt no The Groove, num mega-evento transmídia (morra de inveja, Henry Jenkins) com lançamento de Os Dias da Peste, uma exposição fotográfica cyberpunk, e muito som post-punk, industrial, indie, brit-pop, electro, com o próprio Wandeclayt e a presença luxuosa de Lady A. nas carrapetas. Todo mundo lá!

transmission

Dias Difíceis

Não para mim especificamente, embora problemas com placa de rede tenham praticamente matado minha conexão nos últimos dias. A FC perdeu dois nomes de peso nas últimas semanas: primeiro, Kage Baker, aos 57 anos, que morreu de câncer no final de janeiro. Nunca foi publicada no Brasil, o que não surpreende. Mas suas histórias, principalmente as da Companhia, uma organização de viagens no tempo, eram ótimas, altamente recomendadas. Depois, há coisa de dois ou três dias, foi a vez de Philip Klass, mais conhecido pelo pseudônimo de William Tenn, clássico absoluto da FC mundial. Autor de dezenas de contos e apenas um romance, Tenn chegou a ser publicado em português, mas apenas pela via das histórias curtas. Vale demais a pena ler.

Há quase duas semanas, logo antes da Campus Party, fui procurado pelo Ronaldo Pelli, jornalista colaborador da ótima rede social O Livreiro, para uma entrevista sobre Os Dias da Peste. Batemos um excelente papo, desses que só são possíveis em tempos de Internet: por e-mail, claro. Ambos cariocas em São Paulo (ele de passagem para a CP, eu morando na cidade mas impossibilitado de ir ao mega-evento encontrar com ele), não conseguimos nos encontrar pessoalmente, mas acabamos trocando (muitas) ideias pela rede. Deu nesta matéria que o Ronaldo acaba de postar no blog de O Livreiro. Para quem não leu o livro ainda, tem até uma amostra grátis.

Em tempo: estou na O Livreiro com duas comunidades, Ficção Científica e Cidades Imaginárias. Ambas abertas para quem quiser entrar e bater um papo.

Dois Anos

Este definitivamente é um recorde.

Como eu havia dito exatamente um ano atrás, quando este blog colheu sua primeira flor no jardim da existência (pelo tipo de figura de linguagem já dá pra vocês terem uma ideia da minha verdadeira idade, contemporâneo de Fu Manchu que sou), até a criação do Pós-Estranho eu nunca havia conseguido deixar de lado um certo desassossego e vivia pulando de blog em blog - até abandonar a blogosfera, achava eu então, para sempre.

Hoje, mais do que nunca, estou alive and kicking. Tive uns probleminhas de saúde nestes últimos doze meses, mas agora estou bem e me cuidando - o suficiente para tocar vários projetos. Além do próprio Pós, continuo firme e forte com o Post-Weird Thoughts, meu blog em inglês para a comunidade global de ficção científica, o Eterno Provisório (o blog que criei recentemente quando tivemos nossa Crise nos Infinitos Blogs, e manterei vivo), e, last but not least, o blog sobre tradução e linguagem que fui convidado a criar no portal Tor.com. Em termos de blogs, acho que vou parar por aí. Ou não.

Enquanto me decido, traduzo obras de que gosto - e escrevo neste momento um novo romance. A produção está rendendo tanto nestas férias que bati meu recorde pessoal de leitura: emplacando hoje 32 livros lidos no mês de janeiro de 2010. Em tempo: não estou disputando com ninguém, é uma questão de superação pessoal. And I feel good.


Fechando o mês (provavelmente amanhã não blogarei, então just in case), minha lista de leituras, que eu já tinha iniciado aqui (em inglês) e aqui (em português):


1. Coraline - Neil Gaiman
2. Leite Derramado - Chico Buarque
3. Xochiquetzal - Gerson Lodi-Ribeiro
4. Liberdade Virtual - Sylvio Gonçalves
5. Jubiabá - Jorge Amado
6. The Quiet War - Paul McAuley
7. Geosynchron - David Louis Edelman
8. Bone Song - John Meaney
9. O Silêncio da Chuva - Luiz Alfredo Garcia-Roza (releitura)
10. Padrões de Contato - Jorge Luiz Calife (releitura)
11. Almanaque Machado de Assis - Luiz Antonio Aguiar
12. Achados e Perdidos - Luiz Alfredo Garcia-Roza (releitura)
13. Atonement - Ian McEwan
14. Vento Sudoeste - Luiz Alfredo Garcia-Roza (releitura)
15. Uma Janela em Copacabana - Luiz Alfredo-Garcia-Roza
16. A Star Above it - Chad Oliver
17. Perseguido - Luiz Alfredo Garcia-Roza (releitura)
18. Espinosa Sem Saída - Luiz Alfredo Garcia-Roza
19. Na Multidão - Luiz Alfredo Garcia-Roza
20. Céu de Origamis - Luiz Alfredo Garcia-Roza
21. The Umbrella Academy - Gerard Way e Gabriel Bá
22. O Seminarista - Rubem Fonseca
23. The Children of the Company - Kage Baker
24. Cyberabad Days - Ian McDonald
25. Encruzilhada - Lucio Manfredi
26. Far From This Earth - Chad Oliver
27. Bento - André Vianco
28. Yellow Blue Tibia - Adam Roberts
29. Baronato de Shoah - José Roberto Vieira
30. Quase a Mesma Coisa - Umberto Eco
31. Gardens of the Sun - Paul McAuley
32. Memorias de Futuro - Miguel Esquirol


Obrigado mais uma vez ao Tiago Casagrande pela ajuda, paciência e IMENSA generosidade. E obrigado a todos pela audiência. Continuem por aqui. A casa é de vocês.



Pós-estranho

  • escrever dói
    por Fábio Fernandes

  • Jornalista, tradutor. Escritor, roteirista e dramaturgo. Doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. Pesquisador de cibercultura e professor do cursos de Tecnologia e Mídias Digitais e Jogos Digitais da PUC-SP. Interesses de pesquisa: comunicação e cibercultura, semiótica, teoria literária, ficção científica, tribos e subculturas, novas mídias, games.
  • foto: Pisco del Gaiso


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Blog Serial Number 16-05-66-2008
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