Köszönet

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Budapeste sarou meu coração, meu peito, minha alma, meu corpo. Eu sempre quis estar ali. Parecia uma caminhada ao já conhecido, apesar do idioma nada familiar. E isso foi o mais agradável. O nada entender em letras e o afeto corpo-mente ligado vibrando, como uma criança que interpreta o mundo pela primeira vez. Nenhum outdoor falou comigo. As gôndolas do supermercado, a televisão, os cardápios, as conversas... todos são mudos. Mas que casa, que rua, que cores. Me apaixonei de novo. Por você, por mim, pela vida. E estar aqui é sempre uma celebração. Menos linguagem e mais corpo.

 

porque a gente sofre com coisas que já sabe que vão acontecer? pra que se doer toda por não se encaixar no perfil que não te atrai? o sucesso cega. e esse triunfo eu não quero. não desse jeito. tenho que me lembrar disso.

o que me corta agora é que meus planos não conseguem seguir. a sensação é de que não anda nem para um lado e nem para o outro. mas a verdade é que eu sou muito feliz e deveria saber, de verdade, que nada disso que me rodeia importa muito. importa nada.

eu tenho você, nossa saúde, nossas manhãs, sonhos, força de vontade. tenho meus amigos, seus amigos, nossa família. a viagem que se aproxima é só para me mostrar que minha grama é mesmo muito mais verde. amém.

Por mais, amor

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insustentável leveza do ser ainda é o livro que mais gosto. eu amo a idéia do peso e da leveza, constantemente alternando, sem o nosso controle.

mas foi assim, diante de uma situação cheia de peso, que tudo na minha vida ficou leve. como sempre deveria ter sido. os prazos do trabalho, o mau humor dos outros, a grosseria de quem nada entende, a cara de pau e injustiça, a burrice (não, essa ainda tenho um pouco mais de dificuldade), o sofá sujo, a parede manchada, minhas celulites (ok, essa talvez menos); enfim, tudo aquilo que parece gigante e nunca foi, ganhou seu verdadeiro valor de temporário.

é que a força que comanda tudo de forma caótica e sem direção, navega na gente muito mais do que nosso falso controle crê.

sei hoje que o amor é a única força que nos ajuda a compor quando o mundo fica pesado demais. tornando tudo em volta, muito mais doce. e leve.

 

Mas vou até o fim

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olhando pelo vidro me vejo trabalhando muito. preocupada com o sofá, a viagem, a festa, os amigos. são prazos, reuniões, textos, revisões, pessoas... orbitando. ele. o único que ainda atravessa e encosta na bolha que protege a ferida onde eu realmente me encontro plantada, sentada, andando em círculos. nimguém penetra ali. e é disso que sofro. de carregar ausência do que não existe. do medo de que não seja nunca. de culpa.

eu sinto culpa por não ser perfeita. pelo meu corpo que precisa de terceiros para funcionar. das máquinas que me ligarão, com sorte, quem sabe um dia, a você. nimguém entende isso. simplesmente não aceito. sigo. em frente. talvez a algum lugar que não se complete nunca.

a trajetória agora é começo. não pretendo que alguém me entenda. sei que sou forte e enfrento. mas se não escrever de dentro da ferida pra contar o que sinto, enlouqueço. é de sentir demais que ainda vou embora virar cometa.

eu escolhi viver isso. e vou até o fim.

 

 

Por você

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triste

de um desejo que não passa (nem vem)

quem me olha não vê o quanto que la (teja)

porque não dói, arde

vontade de

 

 

Novo

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eu perdi. enfim, exausta do embate mental, entreguei os pontos. de nada adianta a inteligência sem sabedoria. é um andar no eixo tempo / espaço sem sair do lugar. e como gastei os neurônios sem mover um dedo do pé.

eu perdi. reconheço que preciso de ajuda e que as coisas estão bem. a vida é isso mesmo que acontece enquanto a gente pensa em outra coisa e perde a beleza do instante do mergulho.

eu perdi. convencida de que tudo posso me escondi no fundo da minha cabeça soterrada de esperanças falsas e desejos. não há nada de mais em pedir ajuda.

Afastar-se

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alguns amigos não entendem que você mudou. te cobram, falam mal pelas costas, sentem sua falta de forma agressiva. você continua a mesma. sim, menos presente em todas as horas, encontrando novas formas de diversão, liberta. mas é como se a sua afirmação em realizar coisas diferentes, fosse na verdade uma negativa da vida do outro, que não mudou.

ao mesmo tempo, tem amigos que não te dizem mais tanto. vocês dois mudaram e caminham em direções cada vez mais opostas. o amor por tudo que vocês foram continua, mas a afinidade se perdeu. isso te dói, eu sei. mas a vida é assim mesmo.

uns sentem porque parece que a gente se afastou.

outros, sem querer, a gente que se afasta.

 

Cem anos

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o desejo não tem data. fato. ouso afirmar que não há ser vivo sem desejo.

desejo, logo existo. já diria meu descartes deleuziano.

e foi assim, no auge do seu um século, e com promessas de um novo começo, que ele mostrou que não existe um tempo onde se fica velho e tudo que te espera é a morte.

lá estava ela, batom vermelho, tão pulsante quanto ele. incansáveis. sem vergonha. no melhor dos sentidos que a essa altura, se não há liberdade, o que será.

e eles estão encantaram-se. tinha tanta libido naquelas mãos, olhares, palavras. o corpo envelhece, mas a alma... essa não desiste nunca.

não sei como é querer ao cem anos de idade. mas sei que ele é possível.

amém.

Lugares

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e de repente eu me vi ali gritando, louca, descontrolada perante a felicidade. foi minha cauda invejosa que passou abanando, babando, lustrando o piso de mármore que eu acho que enfeita a entrada. de te ver ao me ver assim tão triste, dormi o dia todo. vontade de apagar todo aquele circo até cair. vontade. foi disso que morreu o gato.

ando tão cansativamente metafísica.

...

começar. abandonar o que foi dito e partir de novo. clichê como a novela, minha vida é feita de pequenos recomeços. não sou tão importante. o mar entrega tudo do que preciso. e não há. deixa. feliz pela chance. qualquer que seja. ficar triste por muito tempo não é mesmo comigo.

eu sorri. ela parou e piscou de volta. estamos. meu coração enfim liberto festeja as demais presenças. fiz as pazes comigo. a solidão me acompanha.

 

 

 

 

Inteiro

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a gente troca o prazer das sensações de estar aqui pelo sonho de um prazer ainda maior em um futuro que nunca estará aqui. a cada ar que entra pela narina, esse futuro desejante dá um passo pra frente enquanto o presente vira passado. não é sábia a troca de sentir o presente pela navegação no futuro, ou passado, mas é quase automática. poucas vezes estamos inteiros naquele micro segundo de presente. e é só isso que eu preciso agora. estar inteira nos meus micros segundos de presente.

como juntar esse monte de gente vagando pra tudo que é lado?