olhando pelo vidro me vejo trabalhando muito. preocupada com o sofá, a viagem, a festa, os amigos. são prazos, reuniões, textos, revisões, pessoas... orbitando. ele. o único que ainda atravessa e encosta na bolha que protege a ferida onde eu realmente me encontro plantada, sentada, andando em círculos. nimguém penetra ali. e é disso que sofro. de carregar ausência do que não existe. do medo de que não seja nunca. de culpa.
eu sinto culpa por não ser perfeita. pelo meu corpo que precisa de terceiros para funcionar. das máquinas que me ligarão, com sorte, quem sabe um dia, a você. nimguém entende isso. simplesmente não aceito. sigo. em frente. talvez a algum lugar que não se complete nunca.
a trajetória agora é começo. não pretendo que alguém me entenda. sei que sou forte e enfrento. mas se não escrever de dentro da ferida pra contar o que sinto, enlouqueço. é de sentir demais que ainda vou embora virar cometa.
eu escolhi viver isso. e vou até o fim.
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