eu ainda comemoro seu dia de vida. é esse que tem sua energia, suas dores, forças e aprendizados. eu ainda comemoro. como um abraço apertado e tranquilo durante todo o dia. eu nem penso em você no dia da sua partida. não há missa, reza, pensamento. eu sigo em frente, ando de lado, me esqueço. o que importa é a vida. até porque as pessoas não morrem. sua lembrança está aqui comigo, nos meus olhos, nariz, ouvido. eu celebro sua permanência. parabéns! te amo muito.
eu gosto de dizer eu te amo. sóbria eu digo de boca cheia, com baco eu digo de lingua solta. gosto do som de eu te amo. da sensação de peito cheio de amar. de ter gente por perto. de amar família, amigos, minha casa, minhas coisas. com 30, me amo bem mais. sei lá quem criou essa coisa de que eu te amo tem que ser dito entre casais, eu amo geral, e isso é bom pra caramba. tanto amor diferente por aí. esse romântico é uma prisão e me fez tão mal até encontrar você. tive tantos eu te amo presos na garganta que não conseguia sair. e chegou você, meu eu te amo gigante do outro lado do mundo. de repente, já tanto tempo e a vontade de abraço não passa. to emocionada porque você me dá oportunidade de dizer um eu te amo largo. e eu gosto de dizer eu te amo.
mais introspectiva. menos albuns, menos missas, menos porque, menos gente. não me pergunte. algo em mim pede silêncio e eu respeito. mas nem todos. ser menos festiva não é ser menos presente. nem menos compartilhada é diminuição de afeto. algo em mim pede mais silêncio e eu agradeço. já nem estranho. tenho cada dia opiniões mais formadas que eu troco a cada inspiração do ar que me movimenta. me permito. algo em mim pede mais silêncio e eu tento. não me julgue. se te machucar, se afaste. pouco tempo pra quem tem muito tempo a perder com coisas pequenas. eu peço silêncio. entenda.
as vezes, me pego julgando tanto que me bate o pânico de ser julgada. pior, o horror de cometer as mesmas falhas apontadas nos outros. já descobri que sou menos tolerante do que gostaria. e perfeccionista demais... até pra aceitar minha baixa taxa de tolerância. é um círculo infinito, do gato rodando atrás do próprio rabo. e o medo de novo. será que não olho pro meu próprio rabo, solto por aí? olho. até demais. e minha repentina falta de controle da língua acendeu de novo a vontade de ser mais tolerante. principalmente comigo.
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