Dorothy

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to dormindo demais. acho que quero acordar amanhã, daqui alguns muitos dias. caí na cilada de mim mesma e não consigo sair. não quero mais fazer nada daquilo que sei. mas me acho inadequada para tudo de novo. nem escrever sei mais. e sigo aqui, amarrando as linhas, vivendo a mediocridade do meu dia a dia, dormindo, até chegar amanhã, no pote de ouro no final do arco íris.

A Maior idade

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depois de um amor chato, veio a chamada nova geração sem nada de novo pra falar. textos fracos. e eu me pergunto como que bereteando não ganha dinheiro? porque ele tinha muito mais brilho pra lustrar o palco. palmas para tá doido, segunda apresentação de luxo que assisto. mais música. um gordinho sissi que ainda tem muito feijão pra comer com uma banda boa... mas o cantor meio melamed demais pro meu gosto. é querido, não foi bom pra mim. a diversão ficou por conta do final velha guarda e do sorriso aberto do mais maluco e querido de todos. aquele que acredita na arte. pena que naquele dia, ela faltou. toca raul!

Perdão

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comecei a inventar minhas próprias regras, mas tenho medo que descubram. é que no fundo não sei se estou certa. em algum lugar, acho justo satisfazer minhas vontades. a vida é curta. por outro lado, me sinto passando a perna nos outros, malandra, sem vergonha. é que andam passando a perna em mim. no lugar de dois fica um e esse um tem que dar conta e ainda lidar com dois doidos pra te derrubar. a cama fica enorme e a vontade de pular pro futuro gigante. mas em algum lugar meu lado caxias acha tudo isso um absurdo. não tenho respostas. que eu me permita e volte a ser o que era. força e paciência. inté.

Nome Próprio

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por 15 segundos, quis parar de escrever. me odiei pela falta de originalidade em empregar palavras na campanha por um nome próprio no mundo do espetáculo. achei sem graça ter um blog por aí, como todo mundo, e sonhar em escrever um livro. taí, esse não é meu sonho. escrevo porque minha mão o faz desde sempre que o corpo parece que vai estourar. muito antes de escrever ser moda. não quero fazer parte da "inteligência" do país, nem ser imortalizada pela minha obra, nem produzir nada que diga algo a alguém. meu texto é um vômito, um suspiro, um escarro, um alento. é o catarro verde que você coloca pra fora antes de entupir e ter que operar de sinusite, com as vias todas congestionadas. mesmo o que é doce e feliz no texto, é minha vazão do tesão atacando as artérias e sugando as mitocôndrias. não tô aqui pra que você goste de mim. e sim pra que eu me aceite. amém.

Eu engoli um rádio

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quando criança. minha boca fala coisas que nem sei de onde vem. cabeça que pensa demais. tem dias que não reconheço meu corpo. minha cabeça olha meus pés e acha que aquele pedaço longe não lhe pertence. sou intensa demais. nesse rádio relógio falante sem controle o dia inteiro. a língua corre solta, sozinha, descontrolada em volta de si mesma. um dia vou me dar um nó e acabar em um hospício enrolada no fio dos meus pensamentos. desejo ânsia de morrer louca vazando sem contorno pelas paredes. minha voz transcorre como passatempo e estranho o que ela diz. não tenho medos de palavras. e sou capaz de empenhar uma arma cruel sem travas.

estou cansada das consequências desse rádio que não pára.

quero trocar de estação, diminuir o volume, silenciar o silêncio.

 

 

você descobrir, por acaso, que suprimentos não recebeu a proposta mais importante da concorrência, que isso tem mais de uma semana, e que eles não tem a responsabilidade de correr atrás do fornecedor. pergunta: se eles não têm, quem terá?

ah, e que você está nervoso (o que é imperdoável no mundo corporativo) e não está apto a dar esporro. no que você, nervoso, responde: "enquanto você não fizer o seu trabalho direito, eu vou te dar esporro". pergunta: existe um curso para tornar-se apto a dar esporro?

é, enquanto eu estiver tpm e falando por aí que anda insuportável trabalhar desta forma, devo cortar minha língua para sobreviver. que merda que é o mundo corporativo.

 

 

Ao seu redor

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adoro e tenho pânico dessa sensação de que posso viver de você

é que estar sem roupa ao seu lado é uma das melhores coisas do mundo

me tornei a mulher casal que nunca achei que seria, e é bom

não me importa se tudo vai acabar amanhã ou se vou mudar de opinião

quero viver o hoje mergulhada em você até gerarmos algo novo

e nosso filho é cada dia mais presente em meus quereres

após a viagem em que seremos só nós, despidos de tudo que a sociedade cobra

perdidos no universo. imersos de sol.

se você fizer um plano semestral e quiser desistir, não acredite que será uma pequena multa. depois de quatro meses, tive que cancelar meu contrato por conta de um projeto novo no trabalho, que resultará em muitas viagens. resultado: tive que pagar uma multa quase equivalente ao cheque do mês que eu cancelei. ou seja, a multa é igual a um mês de academia.

a explicação é que o desconto é para seis meses e se você desiste antes, tem que pagar a soma dos meses que fez referente ao desconto que foi dado. eu paguei, afinal, não devo ter lido as letras miúdas do contrato.

mas preferia que na hora de assinar os seis meses, eles tivessem sido mais sinceros quando eu perguntei sobre o cancelamento. realmente, para o cliente, tudo é uma questão de percepção. e a minha, foi das piores.

 

Limpeza já!

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pessoas que pertubam seu centro. há quem diga que o motivo da irritação é ver seu "defeito" no outro. aquilo que te tira do sério é o "carma" que te faz evoluir. ou deve fazer pensar sobre si mesmo. não importa. tô criando um nojo dessa dupla de filha da puta que nossa senhora. vontade de sair correndo por aquela porta cada vez que o sangue aparece na boca. o poder de tirar a paz é repetitivo. me dá gastrite, repulsa, arrepio. e eu não quero mais. tenho que aprender a ligar o botão do pause. do foda-se. do vão pra vala agora seus imundos. é impressionante como ser um bom jogador é também se defender. e para isso é preciso ser grosso, desconfiado, irritante. e assemelhar-se a tudo que te faz mal. limpeza já!
iemanjá nunca me faltou.
"fui para as águas do mar de amaralina
com mágoas demais em cima"
obrigada.