Já não é a primeira vez que forças do destino tentam me impedir de escrever aqui, desta vez caiu a luz e perdi o texto quase pronto, foda-se, agora que decidi que quero escrever e a natureza não vai me impedir. Meus dedos estão congelando por causa do maldito frio que insiste em nos transformar em ursos hibernantes e gordos. Ir à aula também se torna difícil, já que o contato com o exterior às sete e pouco da manhã pode congelar sua alma e acabar com o bom-humor matinal.
Bom, aqui estou eu de vassoura na mão tirando a poeira deste blog que por bons oito meses estava totalmente parado, cheguei lá por fevereiro pensar em apagá-lo de uma vez, mas não o fiz. Será que foi alguma intervenção divina que me fez poupá-lo da morte? Provavelmente não, se eu bem me conheço não o apaguei pelo mesmo motivo que não escrevi nos últimos oito meses, a preguiça.
A preguiça é uma coisa maravilhosa, não? Ultimamente eu ando me deprimindo um pouco porque sei que esta vida ociosa que ando levando vai acabar, o tempo anda passando muito rápido para mim, tão rápido que a distância entre os meus dois últimos
posts se torna pequena.
-Como assim pequena?! São oito meses!
-Oito meses que passaram muito rápido, ué.
-Mas você escreveu este post com o objetivo de relatar o que mudou nesse tempo, e como oito meses mudam muita coisa
-Mas é um paradoxo da vida, você não entenderia.
-Como que eu não entenderia? Eu sou você
-Eu sei, irônico, não?
-Hãn?
-Esquece. Escuta, posso continuar escrevendo ou tá difícil?
-Tá, vai lá, quero só ver.
O que eu quis dizer com oito meses serem curtos, é que nós não valorizamos o tempo como deveríamos, quando entrei no ensino médio, pensei, "ah, tudo bem, faltam três anos, ainda tem tempo", agora estes três anos estão acabando e eu não quero largar minha vida de ócio e repleta de sestas e cochilos do meio da tarde. Eu daria tudo por mais oito meses, cada vez que penso que o meu tempo está acabando sinto uma pontada no peito, alguns amigos meus já se renderam à uma vida de responsabilidades e estudo, mas eu não tenho coragem, não ainda.
-Tá, você só disse porque o tempo é curto, grande coisa, como se fosse novidade alguém se apavorar com o vestibular chegando, conta outra. E além do mais...
-CALA A BOCA!
Por outro lado, estes últimos oito meses não foram em vão, é incrível como mudam tanta coisa. Se antes eu escrevia para me expressar, agora não vejo mais necessidade nisso porque a música entrou para substituir em parte o blog. Sim senhores, depois de uma infância cantando em igrejas e congressos colegiais, eu tenho uma ascendente banda de rock, outros posts narrando os acontecimentos referentes à ela, e talvez um contando sua história, sem bem que o Thiago, meu baixista esquizofrênico, conta histórias melhor do que eu. Aliás, se antes eu falava do Thiago como alguém em que me espelhava para escrever, hoje tenho a felicidade de chamá-lo de amigo, um dos meus melhores amigos na verdade, mas também não vou ficar puxando o saco dele muito não porque daí ele fica se achando grande coisa e não toca mais nada.
Alguns eu perdi contato ao longo dos meses, e estas pessoas cumpriram seus papéis como figuras passageiras, cada uma ensinando uma coisa sobre a vida. Mas graças a Buda, Alá, Mewtwo e tantos outros; consegui manter pessoas importantes para mim próximas. Porque nesta vida tão solitária e corrida, precisamos de tantos braços direitos quanto pudermos arranjar, e sempre alegra meu dia lembrar de quantos bons amigos eu posso contar.
-Que final bem meloso, porque alguém iria querer ler esta porcaria?
-Ah, o que você entende afinal de contas?
-Muita coisa para falar a verdade. Se você me consultasse um pouco mais antes de sair. escrevendo textos assim poderia se sair um pouco melhor.
-Eu te odeio!
-Só porque você sabe que tenho razão
-Se eu fosse você eu pararia com isso agora
-E o que você vai fazer?
-hããããããnnnn........ droga
(Eu odeio minha consciência)







