Retrospectiva 2004

preá-m'bulo
no final de 2003 eu quis dar de engraçadinho e publiquei uma retrospectiva do ano que viria, 2004, num misto de piada pronta com invencionice bobajosa. hoje, ao procurar uma imagem do antigo template do berêblogger, dei de cara com o post -- e tudo continua muito parecido, claro, só trocar uns nomes, porque nossos clichês continuam crocantes, sivuplê. yoplait danonito xanxerê xandele. ler as velharias do blog me deixa com saudades de fazer ainda menos sentido.




30.12.03 :::
É o Bereteando se adiantando outra vez!
Lá vamos nós.
Here we go.
Bámonos.
Upa.


JANEIRO
: No litoral do RS, os salva-vidas reclamam das baixas diárias pagas. Ameaçam greve. A população fica nervosa. O governador Rigotto tem um ataque dos nelvos e precisa de outra aplicação de botox, urgente.
: Um tubarão é encontrado bebendo cerveja num quiosque na Praia de Canô, Alagoas. Populares dizem que, depois de pedir uma porção de mariscos, o barbatanudo fugiu sem pagar a conta.
: O inverno em Reikjavik atinge -85 graus Celsius e congela 120 mil islandeses. Um avião da Cruz Vermelha vira gelo em pleno ar, cai e espatifa. A OPEP não gosta e manda construir um muro à volta.
: Recomeça o Carnaval da Bahia. Parece que é o carnaval de 1976, que não acabou ainda.


FEVEREIRO
: Chegam nas telas brasileiras os candidatos ao Oscar. Tom Hanks faz outro papel de bonzinho sofredor que chega à vitória no final do filme. Robin Williams entra em depressão.
: Início do Carnaval, conforme calendário oficial. Alguma destaque siliconada faz escândalo no Sambódromo. As vinhetas da Globo causam paralisia mental em 18 crianças do Espírito Santo.
: Em Davos, milhares fazem protesto contra a globalização e botam fogo num bode. Vivo.
: Os veranistas de janeiro reclamam que o clima em fevereiro é melhor, todos os anos. Um metereologista é torturado na praia de Albatroz.
: As crianças nascidas no dia 29 estão amaldiçoadas para sempre.


MARÇO
: Carandiru não ganha o Oscar de melhor filme terceiromundista. A classe artística diz que "nem queria mesmo", mas José Wilker é flagrado chorando copiosamente.
: Palocci declara que a estagnação da economia no primeiro trimestre é fruto da temporada de verão e que as expectativas continuam excelentes para 2004, que na verdade começa em 2006.
: Saddam Hussein é visto fazendo compras em Paso de Los Libres. Os Estados Unidos acionam o alerta laranja e, por engano, um estagiário de chapéu de caubói chama o Jota Quest para tocar a musiquinha da Fanta no Salão Oval. Bush gosta.
: Os números sorteados na MegaSena do dia 26 são 05, 08, 12, 24, 27 e 40.


ABRIL
: O varejo supermercadista festeja as vendas recordes de chocolates para a Páscoa. A indústria farmacêutica e a classe médica também festejam o maior piriri de todos os tempos.
: Começa o Campeonato Brasileiro de futebol. Depois do Estatuto, que pede transparência, a Globo assume - só vai passar jogos de Corinthians e Flamengo. Eurico Miranda sobe nas tamancas, monta num porco e roda a baiana, que fica tonta.
: O loser do Guga perde na estréia do torneio da Pomerânia para um tenista curdo maneta.
: Tony Blair é visto com Boy George e George Michael num pub suspeito, o que causa queda na bolsa de valores da Tailândia e, por extensão, um quase-colapso da energia elétrica no Brasil. Blair se defende, dizendo que só queria um "pint", saco! Em seguida, muda o nome para George Blair.
: Em Tangamandápio, nasce o Anticristo.


MAIO
: A Sony e a Phillips, em consórcio, lançam o DVD que frita ovo e faz torrada. A JVC contra-ataca com um celular que contém vitamina B12 e evita o câncer de orelha.
: Trocentos milhares de noivas causam superlotação nas igrejas de todo o Brasil. As floriculturas e os advogados exultam.
: Bush manda explodir Tangamandápio. Funciona.
: O mês, ao contrário do esperado, dura 38 dias, aniquilando boa parte das classes mais baixas. O problema da fome é reduzido em 45%. Guido Mantega promete que "não faz mais isso", mas os analistas econômicos duvidam.
: Começa a programação 2004 da Globo, que anuncia um monte de filmes que só vão passar no Natal.


JUNHO
: Começam as Olimpíadas de Atenas. O Brasil fica em sexto lugar na classificação geral, com 39 medalhas. Os Estados Unidos vencem, com 1652 medalhas.
: Sherazanga Nganzade leva o primeiro ouro para o Chade (vulgo Tchad, vulgo Cha'ad), no Tiro com Zarabatana Dançando Ragatanga. O australiano Joe Joe Ribeiro, segundo lugar, não gosta e atinge Nganzala com sua zarabatana. Antes de ser capturado, Joe Joe abate 14 agentes federais, e ganha menção honrosa.
: O Carnaval na Bahia é interrompido para os festejos juninos. Pouca gente nota.
: Palocci declara que o declínio da economia no segundo trimestre é fruto das Olimpíadas e da ressaca do Carnaval e que as expectativas continuam boas para 2004, que na verdade começa em setembro de 2006.
: O Papa João Paulo II diz que o Tônico Sexual Tonoklen mudou sua vida. Ele e Pelé topam estrelar um novo comercial de Vitasay, filmado nas ruínas de Pompéia. Em Lisboa, algumas orquídeas começam a devorar pessoas, deixando o número 666 pintado na parede. Com sangue.


JULHO
: Neva na Serra Gaúcha. Pneumologistas exultam. Fabricantes de roupas pesadas compram mansões. Ovelhas migram para Manaus.
: A passagem de Netuno pela Casa XII forma uma quadratura com Saturno, trazendo a Peste Negra de volta. O movimento GLS acha "hor-ro-ro-so", "ca-fo-na" e "uma baba".
: O Brasil lança seu novo satélite. O "Tupi IV" dá quatro voltas em torno da terra e atinge em cheio o "Crusader LXXIII", dos Estados Unidos. Os satélites caem no Alabama. Bush declara "alerta vermêio" e manda explodir o Alabama. Quando se dá conta do que fez, culpa a ONU, o Eixo do Mal e o Imperador Ming.
: Bill Gates se candidata a prefeito de Gigabaite do Oeste, Mato Grosso do Sul.
: Sting, Elton John e Paul Simon lançam um disco de world music. A ONU intervém e Bush explode os três.


AGOSTO
: Começa a droga da propaganda política gratuita. A novela das 20h, que geralmente é dàs 20h45, passa a iniciar 21h15. Assistir o Jô fica impraticável. Doutor Vandir, do 408, é pressionado a fazer sexo com sua esposa, mas por sorte acha em VT um compacto do citadino de biribol de Birigüi, 1972.
: Elijah Wood, o ator que interpretou Frodo na trilogia do Senhor dos Anéis, diz que, na verdade, é um hobbit. Ninguém dá a mínima.
: Mike Tyson e O. J. Simpson estrelam "Double Fuça", thriller brasileiro de ação, rodado inteiramente no Deserto de Atacama. Beto Brant dirige - à distância, do tele-estúdio instalado em sua casa.
: Numa encruzilhada escura em Nova Armani, zona sul do Maranhão, dia 13, catorze cachorros castrados enfrentam três tigres tristes. A defesa civil intervém, abate tudo e doa para o Fome Zero.


SETEMBRO
: Chega a primavera. Um casal de esquilos transgênicos, foragidos do laboratório de biogenética da UFRGS, reproduz-se de maneira frenética. Multiplicam-se logaritmicamente. No dia 29, o Parque da Redenção, em Porto Alegre, desaparece.
: Stênio Garcia e Tarcísio Meira filmam Juba e Lula, Ho! 2 - A Missão.
: Nas comemorações de 7 de setembro, o presidente Lula peida no palanque. "Foi o companheiro cavalo", diz, gargalhando, à dona Marisa.
: A Pepsi lança seu novo refrigerante com sabor de Tâmaras Frescas no Deserto sob a Luz da Lua. Caetano e Gil acham "lindo" e Neguinho da Beija-Flor resolve escrever um samba-enredo para 2005, intitulado "Iluminou: A Sociedade Moderna e as Tâmaras Frescas no Sertão sob a Luz da Lua e o Rei do Baião na Passarela".


OUTUBRO
: O Brasil pára dia 3 - chegam as eleições. O carnaval é suspenso por 18 horas na Bahia. Dia 4, o Brasil continua. Igualzinho. Nada muda.
: Paulo Coelho lança As Rebarbas de Gaetano, suspense esotérico em que um padre tenta ardentemente reencontrar o amor de sua vida, mas não se dá conta de sair da sacristia. Fracassa fragorosamente.
: Mãe Dinah pressente sua própria morte, esmagada por uma bigorna. Mas não dá bola, por "não acreditar nessas charlatanices". Dois dias depois, morre engasgada com um torteii empanado.
: Daiane dos Santos realiza o "Duplo Twist Carpano Enfiado", e é expulsa da Federação Mundial de Ginástica.
: Durante um show em Helsinqui, os lábios de Mick Jagger caem.


NOVEMBRO
: Faz sucesso internacional as Xup Girls, grupo de axé que canta em inglês e rebola em português. "Come to Ae Ae Ie Ae", o primeiro álbum, vende mais de dezoito milhões de cópias no leste europeu. O single Come Here ("Come Aqui"), de Sullivan e Massadas, é a primeira música brasileira a tocar na Cerimônia do Chá da rainha Elizabeth.
: Jack deJeanenne torna-se o primeiro homem a beber um refrigerante de tâmara no espaço. Dezoito minutos depois, torna-se o primeiro homem a sofrer uma congestão num ambiente de gravidade zero.
: Começa a cagagésima temporada de Simpsons, com os novos personagens Terry, o Pescador Maneta, e Alyia, a Albina, namorada de Bart. Rufus, o Hamster de Plástico, faz uma aparição no episódio educativo "Bart e a higiene íntima".
: Morre, aos 89 anos de idade, Raimundo Nonato de Nonato y Noñato, considerado pela revista Science o "Pai do Rádio a Lenha".


DEZEMBRO
: O Natal cai num sábado, trazendo um nível de blasfêmia jamais visto no Ocidente.
: As vendas atingem volume recorde, notadamente pelas bonecas, cds, roupas, maquiagem, kit cantora, kit guaraná, kit lipoaspiração e kit quét das Xup Girls.
: O sensacionalista The Sun estampa na capa, em garrafais: Papai Noel torna-se avô solteiro.
: É finalmente revelado o terceiro segredo de Fátima: "manga com leite empedra". E, numa nota de rodapé, as ainda não compreendidas inscrições "Toniolo '92".
: Chega 2005. A Bahia comemora inaugurando o Reveillon de 1979. O mundo toma outro imenso porre coletivo.






~.~


o template? achei. aumentou preambulada nostálgia.


~.~


eu sei que 2010 já começou, mas ó: que lhe seja leve e agradável, faço votos. mesmo. aliás, é o que eu estou fazendo agora. vote consciente, inclusive. volte sempre (nunca). tô contigo e não há, bro. é que meio saco cheio de calendas, dei de arremedar o relógio, olho pra ele e fico resmungando a hora que ele me diz, nhuasnhinhezoitonhinhenhem fufufu. parei na lixeira da calçada, peguei dois sacos e trouxe pra dentro, só pra ver se a inversão causava uma epifania de réveillon, mas nem.

QUIET YOU e/ou Eh-WHA?

professor

professor


GOOD NEWS, ME! maior natal: ganhei um Professor Farnsworth, meu personagem favorito de Futurama, feito pela minha /incrível/ irmã em biscuit :D


professorprofessorprofessor


a lista de bereteando aqui no impop, ó.


vai . tem resenha, mixtape pra baixar e playlist de youtube: lista pra ler, ouvir e assistir. mas ah multimids


~.~


disco novo do all your gardening needs: um amigo meu escutou e disse que é bom. eu não sei. vou precisar da opinião de vocês.

muito em breve. aguardando ansioso um último ok pra liberar.


~.~


eu sei, ando longe. mas não há tempo, e nem eu há. nem hei. nem sei. mas logo logo.




ambient

David, você está errado


Minha candente desaprovação à fórmula de pontos corridos no Brasileiro não tem a ver com a emoção na competição -- qualquer campeonato de futebol, com qualquer fórmula, acaba sendo emocionante. Tenho ojeriza a essa fórmula precisamente pelo motivo alegado para implantá-la: diziam que era justa; é profundamente injusta e desigual. Pior: é imoral. leia mais


assim disse David Coimbra, editor executivo de esportes da Zero Hora, quarta passada.

não poderia ler nada MAIS errado. ou oposto: poderia até dizer que falta emoção -- e todos os campeonatos passados de pontos corridos tiveram campeão com algumas rodadas de antecedência. mas não INJUSTO.

David diz que a imoralidade é que Flamengo pega o Grêmio sem motivação, que o Inter-RS enfrenta o Santo André rebaixado (errou, David -- o Ramalhão ainda não caiu), que o São Paulo encara o Sport, esse sim rebaixado e lanterna da tabela. e que tais partidas seriam indignas pra se decidir um campeão.

ORA, ora. se é pra ser contra, ainda prefiro a opinião do Hiltor Mombach, do Correio do Povo: diz ele que, sendo essa a fórmula, jamais um time de fora da região Sudeste será campeão, já que é lá onde se concentram tanto poder econômico como político.

também essa (tentadora) tese é refutada pelo atual campeonato. o Inter chega à última rodada com reais condições de ser campeão, apesar de depender de resultados paralelos.

...desafortunadamente, uma vitória do Grêmio sobre o Flamengo. que é improvável por diversos motivos, mas principalmente um Maracanã lotado e um time que não quer a marca de ser responsável pelo campeonato do maior rival.


mas bueno: cada torcedor tem na ponta da língua os resultados que seu time deixou escapar. "se tivesse vencido X, ou ao menos empatado Y!, tudo seria diferente."

(basta ver o meu Grêmio na tabela: estabelecendo recorde de invencibilidade em seu estádio, ataque mais positivo, e segunda melhor defesa. mas só ganhou do Náutico fora de casa. o que é pouco, muito pouco, pra garantir vaga na Libertadores, que dirá ser campeão.)
(ou ainda: com a pontuação que o Grêmio fez ano passado, esse ano já seria campeão há duas rodadas)


digam o que quiserem: a fórmula de pontos corridos é tudo, menos INJUSTA. ela é CORRETA e MATEMÁTICA. eu também gosto de mata-mata (e nos anos 90 meu tricolor ficou famoso por ser especialista), mas atenção: campeonato com cruzamento entre equipes em jogos de ida e volta já existe, e chama COPA DO BRASIL.

antes dos pontos corridos, a injustiça era MUITO maior. cada sorteio de grupos e tabela de jogos virava "caso de polícia", por favorecimento desse ou daquele. agora joga todo mundo contra todo mundo, eternamente, num campeonato bastante longo, MAS -- é JUSTO, sim. somou ponto, levou. o resto é corruptela. pode-se falar de tabela, de arbitragem, de STJD, mas como diz camarada @kicha por e-mail, é competência ou incompetência dos times.

(aqui faz-se ressalva ao campeonato roubado, abjeto, de 2005. jamais esquecer.)


em 2009 tivemos um GRANDE Brasileirão. Flamengo, Inter, Palmeiras e São Paulo podem ser campeões na última rodada. Os jogos de Inter e Palmeiras são contra dois times lutando pra fugir do rebaixamento. se o Flamengo vencer o Grêmio, será coroado Andrade, um dos grandes nomes da história do futebol brasileiro. se o Inter sagrar-se campeão, terá uma glória única pra um time brasileiro em seu centenário, geralmente mau agouro. as outras opções são bem menos divertidas: manutenção de Muricy ou SPFC como multicampeões. o que não significa que o torneio seja menos válido, ou, de novo, justo.


só não acho certo querer ENJAMBRAR partidas em nome da "emoção da final": Maracanã, Engenhão, Morumbi e Beira-Rio estarão superlotados no próximo domingo. e seja quem for o campeão, o será porque somou mais pontos durante a temporada inteira. fugir desse conceito é procurar pelo em ovo.

é uma excrescência que o Flamengo possa ser campeão vencendo um time que, se entregasse o jogo, teria apoio de grande parte de sua torcida? claro que é. mas o sorteio da tabela foi lá no começo do ano, de forma isenta. aconteceu, tá valendo, é do jogo.


~.~


como gremista, eu estava bem mais confortável durante o 1x0 do Sport -- depois o Inter virou, você sabe -- porque evitava tanta conversa sobre dependência de resultados etc.

num mundo mais REVOLUÇÃO FARROUPILHA, o Grêmio daria sangue pra vencer -- e venceria -- o Flamengo num novo Maracanazzo, repetindo a Copa do Brasil de 1997. tudo em nome de uma quebra de hegemonia do centro do país.

não vou torcer contra meu time. e não quero que ele entregue jogo, porque isso é de uma canalhice sem tamanho, e caráter é maior do que felicidade do rival. vou torcer pra que o Santo André vença o Inter no Beira-Rio, isso sim; não quero que sejam campeões, porque não sou uma pessoa evoluída assim, e mais do que isso, jamais admitiria qualquer coisa parecida por escrito. quero que percam por suas próprias pernas. já me basta vê-los na Libertadores, sabendo de meu time fora.

afora partidarismo, é PURA POESIA, ouvir pela rádio a torcida colorada gritando "Grêmio Grêmio Grêmio" nas arquibancadas do Arruda, logo após Sport x Inter, hoje. sem ironia ou flauta: cantam o nome do meu time porque estão na posição de cantar, e porque sonham com uma flauta ainda maior no caso da conquista do campeonato. mas é dessas coisas inesperadas que faz-se o fascínio do futebol, constantemente renovado, e que transcende a simples manifestação futebolística: mostra toda a grandeza que reside no esporte. nem que seja por este breve momento.


~.~


pra fechar, minha seleção do campeonato.

Victor;
Vítor, Miranda, Réver e Armero;
Willians, Guiñazu, Diego Souza e Conca;
Fred e Diego Tardelli.
Técnico: Andrade.


~.~


sua opinião é mais que bem-vinda! comente! :)

não-labirintos

porque FAZ-SE SILÊNCIO,

e se parece fazer-se, se depreende que o silêncio não é ausência, mas também uma força, entidade, algo como a presença do vácuo; muitas vezes como branco de página, somando todas as letras e cores até ser um horizonte, um fim-de-tudo, um sempre-ali;

e o caminho um soltar partículas, areia, pingos de tinta preta, colcheias, pixels, uma fascinação por bloquinhos de lego, por sardas na pele, por cicatrizes, acidentes geográficos, poeira de concreto, espuma de dentifrício respingando na pia;


o espelho nunca diz nada.


há capturas, mas não existem fotografias. um nanoátimo de instante que, por redução, jamais houve, e por isso fascínio. aquela composição. que não pode ser presa. que não é o tempo; que abre mão do tempo. e depois de qualquer distância, (mesmo a do olhar,) é sempre ficção.


falsas lembranças interpretativas: ácaros, como em rinite


(

bagé, 25 de maio de 1996. vai com deus, disse a minha avó.

virei a cara, não queria aquele tipo de bênção. seu Pedro me olhava bravo, queimando minhas costas. tinha aquela brabeza por dentro, que se vê no fundo do olho. eu via mesmo de frente pra estrada.

tu vai levar o vento gelado contigo no peito, disse.
e mesmo soprava com raiva, batendo nas cadeiras e jogando as árvores e levantando o pelo do cachorro. era cedo do dia, sete e meia.

e tudo um cheiro interminável de pão assando.
)


silêncio branco e vazio, sempre um vazio, um vazio de chaleira apitando, aquele gás que parece sumir mas fica eterno no ar, e os momentos de busca, de felpa, de abraço; abraços não existem, porque se abraça olhando pra longe. ou de olhos fechados, e com um sorriso que não existe; um sorriso que foge depois da fotografia, que fica preso na teia da memória curta. porque depois é sempre o caminhar de volta para o dia a dia repleto de vazio, procurando calor na lembrança, no silêncio que é a única coisa que envolve, sem existir, cheio de energia, abraçando forte, contando histórias inacabadas de quase-registros perdidos em páginas e páginas de vida manuscrita, engolfada numa chama baixa de fogão a lenha, crepitando fumaça, que parece sumir mas se agarra nos pulmões que expiram o tempo todo, esvaziando tudo, tanto ar tanto tempo todo tempo que parece que some mesclando-se ao ar mas fica pra sempre grudado nos vidros das janelas, caindo sobre a grama, abrindo espaço pra mais silêncio de respiração, que vai ficando rara, parando, como quando se prende a respiração sem bem perceber ao se entregar a um abraço, fazendo círculos ao redor do centro do tempo, um fotograma p/b cheio de grão, mero ruído eternizado em chapa sensível, sempre soma de fragmento, silente.


porque assim as coisas são, a gente dizia, querendo abraçar o caos, esperando a hora em que ele chega, prevendo um estrondo, mas nunca;














share da twitta' luv [4]

sharetwts4_1sharetwts4_2sharetwts4_3


fico felizão quando adiciono um favorito no twitter. é sempre lembrete da riqueza que a ferramenta permite descobrir. e boia salvavidas pros momentos em que a timeline fica chata ou monotemática.

<3


edições passadas? 1 2 3

a neve

vi seu corpo deslizando para a piscina. ela estava de costas e usava a escadinha -- como fazem os civilizados, os técnicos, os objetivos e os religiosos. pode-se dizer muito sobre a personalidade de uma pessoa pela maneira como ela entra na água. existem os esportistas, que dão pontas atléticas saltando como uma flecha perfeita, suando autoconfiança -- ou a necessidade de demonstrá-la, como um adolescente cheio de testosterona. há aquele tchibum dos infantis, ansiosos e transgressores -- do arremessar-se contra a água como um asteróide rasgando a Terra, ou pior, agitando-se como um gato jogado pra cima que desce esperneando. tímidos, afetados e gente blasé em geral prefere sentar-se na borda e molhar as pernas antes de escorregar para o lado, temendo ser visto. os que jamais entram na piscina também são um grupo -- pseudointelectuais de direita, obsessivos por higiene, frustrados, traumatizados. Dixie entra de costas, usando a escadinha com propriedade -- sem a hesitação do encontro da água fria com o corpo e sem apontar qualquer movimento na estrutura de alumínio, constantemente frouxa. eu a observo como fotogramas num projetor oito milímetros, vendo seus pedaços desaparecerem num azul que o sol faz gelatinoso. as pernas são bonitas, ainda brancas (é setembro). a coxa começa bem e acaba juntando-se a grandes culotes. a bunda, porém, é exagerada e tem celulites. não se diria que é gorda, tampouco; pela cintura dou cinco, talvez seis anos de balé na infância. a linha divisória do biquini, um fino cordão verde amarrado em laço, cede lugar à bela planície de suas costas, lisinhas e sem machucados ou acne, ombros largos de time de vôlei no colégio e natação à tarde; ela entra na piscina de costas e os degraus parecem não terminar jamais, e pouco posso observar de sua nuca porque logo os cabelos loiros tornam-se macarrão amolecido na panela, abrindo-se numa coroa dourada e então suavemente puxados para baixo por uma Dixie já submersa, que desaparece da minha linha de visão para as profundezas d'água.


-- Sabe, eu acho que a gente podia fazer outra viagem nessas tuas férias.
-- Arrã.
-- Sei lá. Ver lugares novos. Treinar outras línguas.
-- Eu não conheço outras línguas. Mal falo inglês.
-- Ou uma viagem de esportes. Snowboarding. Surfe.
-- Arrã.
-- Arrã o quê?
-- Depois a gente conversa sobre isso. Vou pegar uma bebida. Tu quer?
-- Pô!


contorno a piscina andando reto e firme, sem olhar para os lados. acho nojentas essas velhas que ficam grelhando em espreguiçadeiras de metal como bifes amassados pelo chapista antes de virarem sanduíche. elas nem tem mais melanina. mal tem carne entre as rugas; é nojento. mas insistem em impregnar o ambiente, sempre em grupos múltiplos de três, com seus chapéus horríveis de laços coloridos, óculos antigos que poderiam emular moda retrô mas indisfarçavelmente são quinquilharias, drinques terríveis (gin e suco de pêssego, Steinhager e tônica de abacaxi) com rodelões de fruta de plástico e canudinho com guarda-chuva. são delas os poodles e schnauzers e lhasa-o-cacete e pinchers e todas essas raças de pseudo-cachorros ridículos que ficam no canil do clube, latindo como se pudessem ordenar ao servente que abra a porta -- e por pouco não podem, porque essas bruxas fazem questão de humilhar o pobre trabalhador se o pêlo de seus filhinhos ficar sujo de terra ou do mijo de algum companheiro. peço uma tequila, duas cervejas e um "pô" ao garçom e no balcão viro-me no timing perfeito de uma Dixie emergindo, seu nariz incrível buscando o ar. Dixie tem um nariz incrível. ele é pouco mais que um triângulo, pouco menos que arrebitado, nada menos que perfeitamente ajustado num rosto também incrível. duas esmeraldas sob as pálpebras, lábios expressivos e convidativos, bochechas corretas, covinha no queixo, sorriso estelar. incrivel e não me canso. acendo um cigarro e posiciono a cabeça como que olhasse para o nada; na proteção dos óculos escuros, assumo a posição de voyeur. na verdade, odeio quando fumam no clube. tanta gente num ambiente saudável, atletas, crianças na área ao lado, é ridículo fumar num lugar desses. mas aqui eu não me sinto natural, e quando um fumante não está natural acende um cigarro pra ficar mais perto de casa. além disso, as velhas fazem cara feia com a fumaça, e se as incomoda, eu gosto. elas atacam com seu infindável arsenal de argumentos saudáveis, e eu respondo que estão apenas trocando um câncer por outro. essa é a discussão de praxe e estabeleceu-se uma birra mútua, alimentada regularmente. certa vez, quando usei minha resposta pronta para a pergunta pronta, uma delas tremeu o beiço de choro e tirou o chapéu, mostrando a cabeça branca, nua, cruzada por veias clarinhas, de sangue rosa e fino, sem qualquer cabelo. permaneci estático durante vários ciclos de constrangimento, tentando encontrar uma reação digna que jamais poderia surgir, segurando o desejo de pular na piscina (o que teria feito, se não fosse uma pessoa que não entra na água) quando todas desandaram a gargalhar da minha cara. a velha careca ria mais alto que todas e apontava para mim, então moveu o dedo para o meio das pernas e esganiçou um "aqui também, ó". eu não sei que tipo de vitamina dão pra essa gente. tivesse assistido, Dixie me daria uma risota e eu fingiria raiva, apesar da hipnose que seu sorriso causaria em mim; meus olhos ficam fixos no desenho da boca e no ângulo que os lábios formam quando tensionados, e eu a imagino como uma garota num shopping procurando a etiqueta de preço da alma que já não possuo.

se eu lhe entregasse, quanto tempo demoraria para que a revendesse num brechó? Dixie jamais me amou. mas apesar do prazer que exerce usando sua atração sobre mim, nutre um afeto verdadeiro, que seria amigável se não estivesse sempre anestesiado pelo flerte que empregamos exaustivamente. eu chego muito perto, mas não consigo tocá-la. é escorregadia, mesmo fora da piscina. e rola para dentro do abrigo subterrâneo sempre um décimo de segundo antes que o tornado possa atingi-la. é uma grande jogadora, e arrisca alto permitindo que eu me mantenha próximo, à beira do íntimo; e é essa a minha aposta. ela vai envolver-se comigo sem perceber. eu a tocarei pela perda, pelo hiato, como um sentido que embota ou um membro que perde a função. se não posso beijá-la agora, decidi semear-me. bebi a tequila em um gole, uma cerveja em cinco e pus-me de volta, com a outra lata e uma caipirinha de morango nas mãos. quando passo, uma das velhas comenta que o moço está com sede hoje, por certo nervoso, e eu dou um boa-tarde-vovós-e-titias querendo chutar suas pernas crivadas de varizes.


-- Agh! Tá doce! Tu não pediu com adoçante?!
-- Alcança meu livro.
-- Pô!
-- "Pô" é com açúcar.
-- Olha aqui, eu acho que a gente precisa conversar.
-- Mais?!?


eu sempre gostei de armar ciladas pra mim mesmo, mas um casamento foi a maior delas. eu sabia que um dia cansaria de me envolver com garotas como Dixie, garotas que eu não sei como lidar e muito menos como vencer. e que me casaria com quem fosse mais adequada. mesmo naquele tempo eu também sabia que iria me arrepender. mas precisava pôr a capacidade de domar minha natureza à prova, eu precisava tentar viver como um idiota, e isso me desgastou tanto que hoje me sinto bastante morto. já Dixie tem tanta vida que parece um ecossistema. ela me deixa tonto com sua energia. em certos dias ela parece um desenho animado. personalidade de cartoon numa garota de anime, só que loirinha. e seus textos são como nos quadrinhos: curtos. nos e-mails e mensagens de celular que trocamos quase todo dia escrevo banalidades, digressões, piadinhas, egotrips e teorias que são rebatidas com observações enxutas, velozes e repletas de sagacidade. isso conta muito: Dixie me excita intelectualmente. ela tem o rosto perfeito, por certo, mas seria pouco se não houvesse algo muito bom para compensar os peitos pequenos. e assim eu fico nos dias e nas noites delirando nos lábios e nos cabelos de Dixie e então já não quero apenas beijá-la -- eu quero tudo, eu quero dominá-la, quero que ela se sinta insegura longe de mim, eu quero que ela me reconheça como aquele que dá as ordens e balance o rabo quando eu chegar. não importa o esforço que eu faça, o raso do fato é que eu quero dobrá-la; mesmo eu empolando pra achar a vida interessante, ah o instinto. e algum revanchismo. Dixie me irrita porque sorri de alto pra baixo e brilha o olho e não pode ser cooptada; ao mesmo tempo, desperta o desejo pelo desafio da conquista. o prêmio é a glória de ver aquele sorriso estelar devotado ao vencedor. céus, eu tão patético, romantizando inaptidão e dando conta disso num pensamento que começa com céus. criando condições para que ela mantenha o ego fartamente alimentado. ela não quer minha poesia, ela quer é dar um mergulho.


-- Olha pra mim.
-- Para.
-- Tira os óculos.
-- Agora não é hora nem lugar pra ter esse papo.
-- O que é que tá acontecendo contigo?
-- Tu não me deixa em paz!
-- Me fala! Fala comigo agora!
-- É? É isso o que tu quer? Pois tá vendo aquela garota ali, ó, tá vendo a loirinha na piscina? Eu tô apaixonado por ela, é... isso. É isso.


dias de sol quente assim sempre me deixam meio nervoso. eu adoro o sol, mas não quando ele se torna grande demais, opressor, cegando no reflexo da água, queimando várias camadas da pele. o sol é benfazejo rebatendo no verde, na grama, observado da sombra. Minha mãe é que gosta dessa luz desértica. ela diz que precisa de muita vitamina D, ou E, ou X, nunca sei, pra manter os ossos fortes. não sei se isso faz sentido, mas pouco importa. não sei o que mamãe pensaria de Dixie. ela se incomodaria com aquele ar rebelde, mas também posso vê-las juntas na cozinha, trocando receitas ou sementes de flores. Mamãe nunca se deu bem com Laura porque a julga sem personalidade, uma sonsa, o que de fato é; mas gosta de sua doçura. Dixie também é doce. ela não se permite mais do o excesso, a parte que não consegue represar, mas é doce. e libertar essa ternura também é parte do prêmio. beijá-la fará com que a tensão se dissipe e as mentes relaxem e a paixão cresça. e eu brote. e ela se entregue a mim, dócil e picante. céus.


-- Foi por causa dela que tu te separou da Laura?
-- Me deixa em paz, mãe.


e nesse momento terei atingido o então e o se. quando tiver o domínio, só restarão lembranças da Dixie por quem me apaixonei. verei suas esmeraldas tornarem-se kriptonita. eu serei o que lhe falta; e quando ela disser que não pode mais imaginar a vida sem mim, eu já não estarei mais lá. vou arrancar-me dela por ter perdido o maior motivo de amá-la: o do desafio, o da conquista, e com uma tristeza abissal verei as piores lágrimas jorrarem de seus olhos e eu me sentirei como um estuprador de criancinhas. porque eu sou um idiota de qualquer maneira. viciado pelo fascínio. no momento em que eu beijar Dixie, teremos um orgasmo de três semanas, se tanto -- e então começará o apocalipse silencioso. o broto que se revela parasita e carnívoro quando não pode mais ser extirpado sem dano ou cicatriz. evidente que Dixie pode ser a exceção, a falha no sistema falho, a garota que se encaixa em mim; e por isso não posso desperdiçar a tentativa, ou recuar pelo que temo que possa fazer a ela. porque meu mecanismo é tão bom que cada parte do jogo é real; tudo o que sinto é sincero. desejo, embora preveja. eu cortaria uma pata do poodle de mamãe por dez minutos de boca colada com Dixie, mas na verdade eu mutilaria aquele cachorro maldito por muito menos. se não fosse incapaz de machucá-lo.


-- Ela não tem um rosto incrível, Irma?
-- Oh, sim, é uma garota linda. Sempre toma sol aqui.
-- Quem?
-- É por isso que o moço está nervoso hoje.
-- E com sede.
-- Mas se está apaixonado, já vi tudo.
-- Para de rogar praga pro teu filho, Norma.
-- Quem?
-- Pô, cala a boca, mãe. E pelo amor de Deus, põe o chapéu que essa tua careca é muito feia! Filho, onde tu vais?


eu saio de cena e Dixie sai da água, pela escadinha. sorri para mim e faz o sinal universal de "cerveja mais tarde"; polegar esquerdo apontado pra boca, indicador da outra mão girando em círculo. é o desenho animado mais lindo que eu já vi. o ponto de equilíbrio entre Final Fantasy e Scooby-Doo. só que loirinha. com um rosto incrível.


~.~


-- É que eu não tenho certeza se é isso que eu quero.
-- Pra quê certeza? Que diferença faz?
-- Não é bem assim. Não é fechar o olho e meter a cara.
-- Claro que é. Se não for assim, nada acontece.
-- De qualquer jeito, eu dependo da bolsa. Se eu ganhar, eu decido.
-- Eu vou contigo pra Europa.
-- Eu não quero que tu venha comigo.
-- Não entendo.


não entendo, porque não posso entender. mulheres. Dixie mexe nos cabelos enrolando-os na ponta dos dedos, olhando de soslaio para mim. próxima. eu sei o que significa esse olhar. eu inseguro mas sei o que significa esse olhar. aproximo-me rapidamente e a beijo, sentindo suas mãos segurando meu pescoço. me puxando forte. me segurando. pelo pescoço. em dois minutos, ela está nua. em seis, está gozando. em seis minutos. em seis minutos eu me sinto vazio. demoro a gozar por uma convenção, e então me deixo ir embora. tu trocas a eternidade por um gozo, Dixie, e eu te beijo lascivo, e decepcionado.







mai/07

cena final deletada







Ó céu azul, o mesmo da minha infância,
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflecte!


Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!



arr_01.jpg
arr_02.jpg
arr_03.jpg
arr_04.jpg
arr_05.jpg
arr_06.jpg


~.~


bereteando diz: estamos compondo. será uma trilha sonora. as imagens acima (e tudo que delas advém) são o mote.

ou: ando comendo areia.

é crocante.


~.~


no próximo bloco: jardinando com dentaduras.







_______________________________________________________________________________
1. "Tragic is the plight of the tragedian whose only audience is himself! Life is for each man a solitary cell whose walls are mirrors. Terrified is Caligula by the faces he makes! But I tell you to laugh in the mirror, that seeing your life gay, you may begin to live as a guest, and not as a condemned one! Listen! In the dark peace of the grave the man called Lazarus rested. He was still weak, as one who recovers from a long illness--for, living, he had believed his life a sad one! He lay dreaming to the croon of silence, feeling as the flow of blood in his own veins the past reenter the heart of God to be renewed by faith into the future. He thought: "Men call this death"--for he had been dead only a little while and he still remembered. Then, of a sudden, a strange gay laughter trembled from his heart as though his life, so long repressed in him by fear, had found at last its voice and a song for singing. 'Men call this death,' it sang. 'Men call life death and fear it. They hide from it in horror. Their lives are spent in hiding. Their fear becomes their living. They worship life as death!'" lazarus, ato 2, cena 1 em "lazarus laughed", peça de eugene o'neill
2. excerto do programa provocações da tv cultura, ep. 414, 15/05/2009. antonio abujamra lê lisbon revisited, poema de álvaro de campos.
3. trecho suprimido do poema durante a leitura.
4. screenshots do filme arranco, de andré severo (e com trilha do all your gardening needs).

twitecologia I: retweet A


pressuposto:

com o uso de boas práticas, navegação, pesquisa e realização de tarefas no computador/internet são um fluxo ordenado de consciência até melhor que o da própria consciência.


requisitos:

- twitter intermediário
- ter cursado ironia 101
- cognição: 8
- sal (à gosto)


disclaimer:

este post pode se dissolver rapidamente.





Retweet comentado: uma apelo à logica


1. Retweet, ou RT, é o FW de e-mail, só que melhorado. (En: Fw: Re: Re: Fw: Fw: En: Puf: Catinhos paa adossaum!!11!) (e antes era moeda com fita adesiva numa folha de papel xerocada e sebenta te amaldiçoando, lembra?)

2. há retweets onde cabe (literal e figurativamente) o comentário de quem repassa. o que é ótimo, porque aumenta a conversa, deixa a mensagem mais interessante etc.

3. a preocupação em separar o próprio texto da parte retwittada já é uma convenção. mais que crédito, é respeito ao citar alguém.

4. ainda não ficou estabelecido um código para essa mensagem mixada. um formato para que a separação fique clara -- ou ainda, melhor que isso: instantânea. (eu gosto de usar // (duas barras). me parece que faz boa pausa e barreira entre as partes do tweet.)

5. e tudo bem não ter código, tudo bem certa anarquia, cada um escolhe seu separador preferido, acho válido liberdade. só vou ser chato numa coisa: o texto próprio vem ANTES do RT. o comentário é prévio à citação. anuência, adição, negativa ou risadinha sjdkjsh - são sempre introdução do RT.

6. repetindo desenhado:


tarantinos

chucruto

retwilson

SUGESTÃO DE MÉTODO MNEMÔNICO: repita dez vezes, bem rápido: retwilson retwitta errado


7. ora, pois que cada tweet numa timeline segue um fluxo lógico e ordenado de leitura, sendo:

fotinho -> texto do dono da fotinho

aka

QUEM diz O QUE

da esquerda pra direita, que já é pra identificar quem chega antes de dizer a que veio.


8. no caso de um RT, adiciona-se um elemento à essa cadeia:

QUEM diz O QUE que ALGUÉM DISSE

se utilizada a boa prática para adicionar o comentário próprio, a fórmula acima altera muito pouco:

QUEM comenta O QUE que ALGUÉM DISSE


9. ao contrário, quando o retweet se intromete no meio dessa sequência, faz bagunça causa ruptura no fluxo natural de processamento da informação.

QUEM diz O QUE que ALGUÉM DISSE e então VOLTOU pra deixar seu palpite

e também na lógica de leitura visual,

fotinho -> texto do dono da fotinho -> oops é RT ; texto de outrem -> texto do dono da fotinho

o "oops" no caminho é o grande vilão de que, por meio desta, viemos alertar.


10. conclusão: para que seu RT Comentado tenha máxima legibilidade, deixe seu recado antes do texto original. biiiiip.


~.~


10b. final alternativo: Conclusão: para que você se torne um sucesso no twitter e ganhe 3984 seguidores por dia, dê xeu paupite antes de paxar o tweet adiante. EU FIS CSGUI 200000 PONTS dolar weet


~.~


FAQ
P: Cara, não acredito que tu perdeu tanto tempo te fresqueando escrevendo sobre uma mecânica que pode desaparecer a qualquer momento.
R: É pra isso que serve um blog: se pode escrever o quanto quiser sobre o que quiser e procrastinar o quanto puder usando a incomodação de um instante como motivo.

P: Ah, sempre tem um cagador de regra!
R: Isso não é uma pergunta. (E essa piada é velha.) mas ao contrário de cagar regra*, sugiro (sugiro é um bom nome) apenas uma ECOLOGIA sagaz. faça a sua parte por uma webernet mais sadia, fácil de ler e nutritiva. e/ou, ver resposta anterior. ainda: sim, sempre tem.

P: onde eu pego um selinho da campanha pra botar no meu blog?
R: não, não é campanha, tava só trocando uma ideia, na buena.

P: Acho que o twitter é só uma parte, e na verdade tu tá falando de algo mais amplo - clareza na leitura semiótica entre os atores das redes sociais, sob um prisma woodyalleniano?
R: Seria possível. Se eu não estivesse tão atarefado. Ou desse tanta preguiça. Mas aí é mais caro.


________________________________
*gente com infinito mais grana que eu foi humilhada por tentar impor SEU JEITINHO às interwebs.


~.~


no próximo bloco, alguma coisa sobre dentes.

caixas novas

F*YEAH CAIXAS NOVAS


~.~


nunca comprei um aparelho de som. ganhei um minisystem sony aos 12 e um três-em-um gradiente aos 15, e esse último é o que, acoplado a um cd player phillips de segunda geração, toca na sala de casa (várias casas) já faz mais uns 15. (tudo meio LANHADO de guerra; o prato não funciona, botão de liga-desliga se perdeu há umas duas mudanças, bandeja do cd só abre na marra com uma tampa de caneta etc. pero CUMPLE.)

a ascensão do mp3 foi também um upgrade no status dos meus computadores (um de cada vez): um momento em que gravar os arquivos em cd audio já não tinha muito sentido prático (porque no quesito fidelidade sonora, nenhum jamais mesmo). era mais fácil deixar o micro ligado -- e mais divertido, com um shuffle bem mais gordo do que qualquer cd changer carrossel (uma fortuna) poderia proporcionar em qualquer período histórico.

as caixas que vinham me acompanhando desde 2001 são boas. eram de KIT MULTIMÍDIA, mas de respeito (chinês), com seu bom quilo e meio amplificado. sempre quis uma placa de som melhor, mas vai ver preço de placa de som: até uns 200 reais é tudo a mesma porcaria, e o próximo nível triplica de custo. aí fica inviável pra um LO-BUDGET como eu.

e assim passaram-se os anos e estava tudo bem. não apenas como ouvinte; as atividades de jardinagem, inclusive, sempre pressuporam baixa renda. (a pergunta inicial era -- o que se pode fazer com música, num computador, sem ter qualquer dinheiro pra investir?)


como é largamente sabido, se transforma limitação em criatividade.


em algum lugar entre o primeiro e o segundo EP, eu comecei a sentir falta de um sistema mais fiel. o estilo do all your gardening needs -- ambient -- pressupõe um trabalho meticuloso de mixagem, e eu já havia caminhado o suficiente pra precisar de mais resolução e controle no que estava fazendo. ainda assim, as alternativas pra um upgrade sempre ficavam custando o preço de um computador. (sendo que o meu já era CAPENGA.)

mas foi em algum lugar entre o segundo e o terceiro EP que surgiu a vontade de colocar mais electronica no electronic -- umas guitarra no fundo aê -- e coincidiu de um ermão poder trazer de viagem pros eua uma fast track pro, que custou trezentos pilas. não é só uma caixinha para conectar instrumentos diversos, como minha guitarra tosca (e em breve meu baixo tosco): é também uma bela placa de som externa. donde o evento me quebrou DIVERSOS galhos numa só fireball lvl 3.

guitarra ligada no pc, placa de som zunindo: minhas caixinhas ficaram encabuladas. "não somos dignas", choravam, potenciômetro de volume tão sujo de poeira, não mexe senão vai ter de ficar uma hora procurando a SINTONIA BALANCEADA do volume estéreo. pues que desde maio vinha CEVANDO a ideia de colocar monitores -- não monitores, que não custam menos de 1500 paus (cada), mas umas caixas mais decentes, vá lá, se contentemo -- pra ouvir, enquanto vicioso musical, e pra compor. (porque tudo bem compor em fone de ouvido, mas na hora de mixar, bicho, aí fone de ouvido é engana-bobo.) e depois de muita NHANHA e pesquisa arrebatei o par Edifier R1200T que me embala agora.

a um custo de outros trezentos pilas. mais entrega.


evidente que se misturam, no meu caso, ouvinte e produtor; ouço música com dedicação, prazer e em tempo suficientes para justificar um investimento -- e isso tudo ainda fica em segundo plano diante das minhas pretensões de projetista sonoro.

porque faço as contas e vejo que, no período de seis meses, gastei o equivalente a um microsystem chinelo parcelado em qualquer varejão da vida -- pra ter um sistema de áudio de com o triplo da qualidade que aquele apresenta. e me pergunto eu, audiófilo, neste momento de iluminação, porque diabos isso não entrou na minha lista de prioridades ANTES.


tem quem não deixe por menos que LCD e blue-ray; eu devia ter comprado um aparelho de som há muito tempo.


e se o amigo leitor tem essa relação com a música, por favor: dê aos seus ouvidos o que eles merecem. o quanto antes. assim como o míope não sabe que é míope até botar um óculos na cara, esses fones do teu ipod tão te enganando.






____________
este, como todos os outros, é um post não-patrocinado. mas os preços das caixas Edifier, no dia de hoje, são de longe mais baratos no comprafacil. não se festeja essas coisas, sob pena; mas minha compra foi tranquila e sem percalços. depois de meses de pesquisa e entrevistas, vi que o melhor custo/benefício (chinês) é, de fato, da Edifier. (na dúvida, procure um sistema 2.0. aquele subwoofer que te vendem como sexy só serve pra entupir a música com graves exagerados. e veja o preço por QUILO. eu sei que existem caixas "slim", mas nunca ouvi; e até esse dia, pra mim, peso do IMÃ = qualidade. costuma fazer sentido.)



v e r b e a t  b l o g s

all your gardening needs

últimos bookmarks

leituras compartilhadas

verbeatblogs.org

blog 'n' roll