from: Gustavo Brigatti
to: tiago casagrande
date: Tue, Aug 5, 2008 at 6:25 PM
O lance é que decidi estrear minha cuia de chimarrão. Então fui no mercado e comprei um pacote de erva. Antes disso, tive que escolher a erva. E no Zaffari tem uma prateleira inteira só de erva. Fiquei tentado em pegar a erva cuja embalagem é uma índia seminua chupando a bomba - um lance meio rótulo de Catuaba, manja? Mas aí peguei a tal da Rei Verde. Beleza. Cheguei em casa, peguei minha cuia, enchi a dita com erva até o começo do gargalo e completei com água quente (não fervendo, apenas quente). E deixei ela curtindo. Então fui ler a embalagem da erva. E o que estava escrito? "Composição: erva mate e açúcar". AÇÚCAR! Das trezentas ervas que haviam na prateleira, eu fui pegar logo uma das poucas que tinham açúcar! Não, não vou tomar essa merda. É como beber café descafeinado, pára porra! Se tu quiser - ou conhecer alguém que queira - tô passando 1kg de erva açucarada. Senão vou jogar fora. E sem peso na consciênca. Humpft.
cara - se tem uma outra coisa de que eu sinto falta nesses tempos computadorizados, é o botão de volume GIGANTE. que nem que tinha no painel dos 3-em-1.
preâmbulo. sendo alguém cuja subsistência e 3/4 dos projetos (e ainda parte do lazer) se desenvolvem na microcomputadora, passo eterno tempo de frente pra tela. evidente que o mp3 me tornou um ouvinte muito mais e melhor - numa escala impossível de imaginar há 15 anos atrás. e se durante o dia em fones ouço, à noite tenho um par de caixinhas bastante boas aqui na escrivaninha. dos tempos em que o kit multimídia vinha com falantes de verdade, ímã pesado, boa resposta de freqüência - ao invés desse plástico chiador pavoroso distribuído hoje e que devia ser proibido pelas autoridades de saúde. tanto é vecchio que seu (mini) potenciômetro de volumen, hoje bêbado de poeira, não gosta nada que mexam com ele - senão fica mudo. às vezes num canal, às vezes noutro, ou nas duas. mais difícil que sintonizar rádio atrás de morro. donde, trabalha fixo em vol 9, e todo resto é software.
faz falta o botãozão, que se gira com impulso quando a canção 'bate', pra se procurar a quantidade exata nos fones, pra ter certeza de que não dá pra aumentar mais mesmo. o comando físico da massa sonora. rob gordon se jogando na cadeira, dando um peteleco pra jogar o som nas alturas. e medidores VU, de ponteiro, sempre atraídos pelo vermelho. movidos a eletricidade - não emulados por software. sim, esse é o caminho do chiado da agulha na bolacha, música de carregar embaixo do braço, o bônus do encarte gigante em fonte maior que seis. a quase-pornografia dos álbuns duplos.
mas também não alimento demais essa nostalgia; que, já disse, os avanços trouxeram grande melhora. de resto, eu sou um bicho acima de tudo preguiçoso prático. e eu já deixei um vinil no sol.
claro que posso comprar um microsystem novo pra sala, e botar o auxiliar e as caixas do 3-em-1 a trabalhar pro computador. ou instalar uns monitores bacanas e essa mesinha Mackie aqui, quando eu ficar rico com jardinagem. mas, enfim, esse não é um post que se resolva com tecnicidades.
enquanto isso, aperfeiçoa-se a técnica do EXTREME MOUSEWHEELIN'.
motivado por este prosaico post, olivia-google-reader-shared
como reflexão e conclusão à leitura deste post do O Primo, logo depois desse do Brigatti, e até esquinando nesse do Cardoso, me presto à seguinte conclusão pública:
eu não quero saber o que você me indica. o que você viu, ouviu, provou e gostou. cultura, mas provavelmente outras coisas também. produtos.
isso de uma maneira geral, claro, apontando pra um "você" misturado à turba de coelhos sorridentes, branquinhos, multiplicando-se ad eternum. é evidente que a opinião dos eleitos (amigos de gosto parecido/semi-estranhos inteligentes e razoáveis - cada um tem os seus) segue sendo uma das melhores maneiras de se filtrar o jigo do troio. principalmente em tempos de jornalismo cultural lobbista e asséptico. mas também está bastante claro que o hype, junto do senso comum, atinge níveis inimagináveis, e insuportáveis, de gritaria, esparro e ruído na sociedade em rede - onde não basta, simplesmente, parar de ouvir rádio FM ou ler jornalão/revistinha descolex.
por isso, não me diga o que você gostou. eu quero saber é do que você NÃO gostou. não aceito elogio sem machadada junto. se não tiver viés crítico, é melhor não dizer nada do que alimentar a BESTA.

ninguém faz outra coisa a não ser falar de tal filme há três meses? não vou ver. tal banda é o que há de mais incrível nos últimos anos e já vendeu x milhões de cópias? não ouço, tô fora. faço questão de não fazer parte disso. de não saber e não ventilar mais do mesmo. "ah, mas tem que conhecer pra poder criticar etc". desde quando? se tem gente aos borbotões elogiando sem ter consciência crítica, ou sem nem ter visto ou ouvido de qualquer modo o objeto em questão, porque eu não posso virar as costas pra o que eu sei que não me acrescenta nada - ao contrário, me rouba tempo, vida, paciência e pila?
Brigatti chama isso de ditadura do "legal, né?". é feio criticar, botar dedo na cara, até mesmo dizer quando é uma porcaria e não vale o hype artificial. aquela banda que recria o rock agora, de novo? "ah, mas é legal". tal filme com 200 milhas em marketing? "ah, é legal, deixa de ser pentelho" etc. legal? pergunta por quê, pra quem, e espera pra ver se tem mais de duas frases de justificativa. e se transbordam um PIR¹.

sabe, é preciso gostar menos das coisas. sério. se uma massa representativa na população do planeta levanta um polegar, desconfia. se levantar os dois polegares, melhor cortar as mãos antes de ser cooptado. não pode estar certo. claro - quem quiser pode viver na segurança do mundo pasteurizado, do louvor ao médio, daquele sentimento de pertencer social em cada comentário inócuo de disco, livro, novela, filme. como quem fala do tempo ou de doença. cada um faz o que lhe apraz.
mas a própria existência ganha meio mílimetro de profundidade a cada vez que se exerce a crítica. feroz, sem concessões fáceis. negar três vezes. esquecer tudo que se sabe a respeito do objeto e olhar a cena de fora; apontar o que surgir de ridículo, de acéfalo, de mal intencionado. sem constrangimento. a crítica não isola - é libertadora.
[sim, a liberdade, por sua vez, caminha com o isolamento. mas isso é outro papo.]

a massa acrítica engole e digere aquela que é crítica. reagir é chato, e muitas vezes é ser o chato. mas é isso, ou é raspar a cabeça, subir numa torre e metralhar transeuntes. o oposto da massa crítica é a misantropia, e se tudo continuar desse jeito, vou ser Urtigão, me fechar num fim de mundo e usar a garrucha contra qualquer um que se aproximar do meu portão.
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¹ no interior do RS, singular de "pires" é pir.
imagens: the original illustrated catalog of ACME products
"Ainda que investindo em uma sonoridade mais próxima do ambiental, Tiago parece enxergar e deixar enxergarmos além. Em nossa opinião, filia sua música não tanto a um estilo ou gênero, mas a um estado de experimentalismo caseiro que visa, e nos permite, evocação e curiosidade ao escutá-la."
all your gardening needs na seção Holofote da Trama Virtual.
mais incentivo pra fechar os olhos pro resto e investir mais no projeto. em breve.
há uma semana atrás eu gritei no twitter que muito queria ver esse filme. até fiz post aqui no berê e tudo.
corta pra quinta, tiagón correspondência, um aviso del correos, dizendo que uma entrega tinha baleiado. coçando a sobrancelha e tentando lembrar se havia bebido por perto do cartão de crédito, ignorei. afinal, iam tentar no outro dia - e dar de cara na porta de novo, lógico, não tem porteiro, inclusive motivo pelo qual sempre uso o endereço profissional pra encomendas. ou seja, menos sentido no aviso do sedex. mas bueno, voltaria pra central dos correios, e depois um motoboy faria o serviço.
mas que hoje atípica sexta, dia de viver a liderança e aproveitar o breve, fugaz momento em que o futebol anestesia e resolve todos os problemas existenciais (dá ressaca), de inverno com sol e cerveja me esperando em casa, pude fugir mais cedo do trabalho. cedo a tempo de ver o carteiro buzinando algum interfone enquanto me aproximava do prédio. era pra mim, mesmo. "melhor que isso só com hora marcada", e eu até sorrio, porque, claro; valeu, caos.
subindo as escadas rasgando a lateral da caixinha de papelão com logo de loja de devedê que eu não conheço; na lateral, leio Poderosa Afrodite. penso de novo se não tinha comprado - afinal, eu olhei em diversos sites, sexta passada, enquanto me alimentava etilicamente - mas, cacete, eu sei que não!
desempacotando, fim do mistério: a (sem-graça da) loja mandou a nota junto.
e por sorte, eu conheço algumas identidades secretas dos super-heróis e heroínas por aí.
por isso hoje, graças à Viva, eu tenho mais um woody pra coleção ^^
e o meu segundo no top5 dos preferidos. oh my oh my oh my
pode ficar melhor que isso?
so a botecagem posterior na minha próxima flanada pelo Rio. beijão, Viva! :D
e agora com licença que tá começando.
este blog vem tornar pública uma DENÚNCIA contra o prefeito de Porto Alérgico, Sr. Fogazza de Queijo Cremily.
entra FANFARRA MARCIAL DE PÍFAROS FANHOS COM FAROFA DE ÔVO
embalagens de brinquedo Kinder c/ Ovo e Bacon estão sendo alteradas geneticamente para atender aos fins eleitoreiros da prefeitura! retiradas de seu hábitat natural, são hoje criadas em cativeiro, tratadas com hormônios, abatidas com crueldade, brutalmente aprisionadas à solda de concreto E obrigadas a alimentar-se de LIXO!
este blog iniciará petição online para pôr fim ao abuso, maus tratos e tortura perpetrados pela desadministração pública.
uma variação mais agressiva deste post falava em democratização do kinder ovo. "prefeito leva o conceito de surpresa para as crianças de rua" etc.
já prevendo que este protesto, abaixo-assinado e ação popular sejam derrubados em gilmárica instância, Bereteando apóia o anarquista anônimo do protesto abaixo - colado numa daquelas caixas que abrigam centrais telefônicas elétricas (ou algo do tipo) ali na (ex-)esquina da OSPA.
(que mudou-se tudo no last.fm e é assunto pra durar mais umas doze horas)
0. tabelas dinâmicas em tempo real. não precisa esperar uma semana pra ver suas charts; além da tabela geral ("de todos os tempos"), tem os últimos sete dias, ou últimos 3, 6, ou 12 meses. passou o dia inteiro escutando um disco novo, aparece logo na tabela. flashin' tchans. (tabelas semanais ainda disponíveis)
1. a biblioteca. uma lista bonitona e facilmente acessível de toda banda que já passou pelo seu perfil do last.fm, com sua contagem. ou seja, não posso mais esconder que ouvi isso 13 vezes. e dá pra adicionar um artista à biblioteca barbadinha - o que é bacana pra colocar paixões antigas no perfil.
2. ali mesmo na biblioteca, finalmente surgiu a lista de faixas favoritas - com a data em que foram adicionadas. nerdices no setor de catalogação etc.
3. as recomendações ficaram bem mais inteligentes, ah. veja não só a banda indicada, mas também até 6 similares que estejam no seu perfil. o cruzamento não só fica mais pertinente e criativo - deixa com mais vontade de seguir a dica.
4. em tour: novo aviso para artistas que estão na estrada, ao lado do nome daquele perfil. útil, inclusive nas vezes em que não se sabe se a banda está viva.
5. o layout está mais clean, mais leve e fácil de visualizar. demora pra acostumar com o novo lugar das prateleiras, mas não é em vão.
bônus: o porvir venturoso, recebido via post no blog do last.fm: " *A few missing pieces will reemerge, phoenix-like, in the coming weeks. I'm looking at you ;-) " a última frase linca para uma música dos Rolling Stones, chamada Paint it Black. rejoice.
nem tudo são flores, no entanto. as ressalvas que seguem não são críticas, mas incomodam em base contínua:
• segue sendo um parto editar tags. não erre.
• comentários em fóruns e blogs não tem mais título. mais que isso - os anteriores foram engolidos. aguardemos que esteja no pacote das "missing pieces" citado acima.
• frasezinhas umbiguentas randômicas no pé da página, sem nenhuma graça ("The Sweet You Can Eat Between Meals Without Ruining Your Last.fm", "There's Always Room For Last.fm", "Don't bite the Last.fm that feeds you"... ? agh)
• quase toda página tem um player; trocinho flash pra carregar a cada clicada. bobagem, mas nos dias de maior neurose um segundo de lerdeza é o suficiente pra arruinar o humor.
• a caixa de mensagens no pé do perfil ficou um lixo inominável.
apesar dos furos, tô curtindo a nova versão. e por aí, que acharam?
a Polícia Federal continua mostrando serviço e dando pano pra manga: a bola da vez é o espetacularizado caso Dantas. espetáculo que começou quando resolveram reclamar, alertando (e chamando) os gansos - até então tava tudo tranqüilo.
quando a gente adquire um certo ceticismo, ou cinismo, ou abstração, a coisa toda assume tons de surrealismo. fica divertido (meio masoquista) de assistir ao desenrolar dos fatos. delegado prende, juiz supremo master solta. delegado prende de novo, juizão solta de novo. judiciário se revolta e pede impeachment - dando todo um nôvo frescôr à trama. terra magazine conta que Dantas vai falar tudo. site consultor jurídico é pegado na tampa fazendo caca. site consultor jurídico dá furo com relatório da PF. imprensa desqualifica delegado como burro e comunista. repórter é pega no meio do relatório do delegado.
aí, quando não pode ficar melhor, surge o Mainardi! bah, podia trazer o Mainardi pra passar uns dias aqui na PASC, de Charqueadas. só pra ter mais emoção.
tinha que ter um dispositivo legal que mantivesse qualquer cara astronomicamente rico pra c@%o na cadeia; suspeição prévia da simples possibilidade de corrupção. peidou fora, cana.
você, como eu, continua informado sobre o caso porque lê certos blogs fundamentais como O Hermenauta, Sítio do Sérgio Leo, Pedro Dória, Biscoito Fino e a Massa e a Nova Corja.












